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Correio Braziliense

Demanda firme por minério

Presidente da Vale acredita que procura pelo produto continuará intensa pelos próximos três anos. E evita falar sobre reajuste nos contratos para o terceiro trimestre


postado em 19/06/2010 14:00

A demanda por minério de ferro deve permanecer firme por pelo menos três anos, afirmou o presidente da Vale, Roger Agnelli. “A demanda por minério de ferro continua firme, e a China (maior consumidor do mundo) lidera esta demanda junto com outros asiáticos também”, declarou.

“Os Estados Unidos não são grandes consumidores do minério brasileiro, mas a União Europeia também teve uma recuperação forte em relação ao ano passado, de modo que a demanda, que determina o preço, continua muito forte”, acrescentou ele, após a cerimônia de inauguração da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), uma parceria entre a mineradora brasileira e a ThyssenKrupp.

Apesar da forte pressão altista do minério de ferro sobre os índices de inflação, depois que as correções nos preços passaram a ser trimestrais, o presidente da Vale evitou falar sobre o novo reajuste programado para o terceiro trimestre.

No início do mês, o diretor de Ferrosos da mineradora, José Carlos Martins, afirmou que a Vale já fechou os contratos de preço para o minério de ferro no terceiro trimestre deste ano e apresentou a seus clientes.

“A tendência é de mercado firme. Se o preço vai flutuar para cima ou para baixo, o mercado é que vai dizer. Por ora o que eu posso dizer é que o mercado continua muito firme”, disse Agnelli, que esteve envolvido recentemente em uma polêmica sobre o peso do preço do minério na inflação. Para ele, como 90% do minério da Vale é vendido no exterior, a Fundação Getulio Vargas deveria levar este fato em consideração em seus índices de inflação.

“Se estiver causando inflação, é mais para fora. Não é aqui”, ponderou ele na semana passada. “Acho uma coisa tão maluca quando se fala que o minério de ferro afeta o preço do aluguel. O que tem a ver o preço do aluguel com o minério de ferro?” Mas acabou reconhecendo que o aumento do preço do minério tem um relativo impacto nos preços do aço, acrescentando em seguida: “Tem que sempre levar em consideração que as siderurgias brasileiras todas têm mina de ferro.”

China
Seja como for, a demanda chinesa por minério de ferro continua forte. Os estoques do produto importado nos principais portos da China subiram 80 mil toneladas somente nesta semana, passando para 70,03 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Mysteel.

As reservas de minério de origem australiana ficaram em 22,39 milhões de toneladas, queda de 60 mil toneladas desde a semana passada, enquanto os estoques do produto brasileiro recuaram 280 mil toneladas, para 15,87 milhões. Os estoques de minério indiano subiram 50 mil toneladas, para encerrar a semana a 18,07 milhões de toneladas.

Após atingir um recorde de 59 milhões de toneladas em março, as importações de minério de ferro caíram por dois meses seguidos em abril e maio, com o setor siderúrgico chinês oscilando em meio aos esforços do governo para conter o superaquecimento no setor imobiliário — importante motor da demanda no ano passado.

"A tendência é de mercado firme. Se o preço vai flutuar para cima ou para baixo, o mercado é que vai dizer”
Roger Agnelli, presidente da Vale

O número
80 mil toneladas
Alta dos estoques chineses nesta semana

CSA é inaugurada

Vera Batista
Enviada especial

Rio de Janeiro — A demanda por aço ainda é muito reduzida no Brasil, se comparada a outros mercados, mas deverá crescer nos próximos anos, devido à retomada da indústria naval, ao desenvolvimento da economia e à descoberta de petróleo na camada do pré-sal. A previsão é do diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli, que participou da inauguração da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro.

Apesar de recém-inaugurada, a CSA deve ficar ainda maior. Segundo o executivo, a siderúrgica poderá expandir sua capacidade de produção em cerca de três anos, em caso de condições favoráveis no mercado internacional.

A siderúrgica, uma parceria entre a Vale e a Thyssen Krupp, principal produtor de aço da Alemanha, é considerada o maior investimento privado do Brasil nos últimos 15 anos. Foram investidos 5,2 bilhões de euros (cerca de US$ 8,2 bilhões) e gerou mais de 30 mil empregos diretos e indiretos na região de Santa Cruz.

Ekkehard Schultz, presidente da Thyssen, acredita que a produção inicial de placas de aço representará uma contribuição anual de US$ 1 bilhão no balanço de pagamentos do Brasil. De acordo com o empresário, a CSA deverá produzir cinco milhões de toneladas de aço por ano, que serão inicialmente destinadas aos mercados dos Estados Unidos e da Alemanha.

Durante o evento, Agnelli anunciou, ainda, o início das obras da nova siderúrgica Aços Laminados do Pará, para a próxima terça-feira. em Marabá, no Pará. Ele disse também que a companhia busca parceiros para investir na siderúrgica de Pecém, no Ceará.

A repórter viajou a convite da Vale

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