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Correio Braziliense

Decoração acompanha explosão imobiliária

Após comprar a casa própria, os brasileiros das classes B, C e D descobrem que podem ornamentar o lar seguindo o gosto pessoal. Com a oferta de crédito farta, personalizar o ambiente deixou de ser um luxo para os endinheirados


postado em 21/06/2010 07:31

Da planta que enfeita o jardim à lâmpada eletrônica, passando pelos armários da cozinha e o box do banheiro, praticamente tudo o que está disponível na seção “utilidades para o lar” pegou carona no superaquecimento do setor imobiliário. O salto explosivo nas vendas de casas e apartamentos vem impulsionando como nunca uma série de segmentos atrelados ao ramo residencial. São mercados que, juntos, somam alguns bilhões de reais e que, por causa do boom dos financiamentos de moradias, se acostumaram a crescer na mesma velocidade que os canteiros de obras.

Os moveleiros preveem retomar os níveis de faturamento pré-crise de 2009. José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel), aposta em uma expansão de pelo menos 10% em 2010, o que elevaria a receita bruta para R$ 20 bilhões. Boa parte desse dinheiro já saiu ou ainda sairá dos bolsos das famílias que não dependem mais do aluguel. “O móvel é a primeira coisa que a pessoa compra para a casa nova”, resume Fernandez.

O carro-chefe são os planejados para cozinhas. A facilidade de crédito e o acesso à renda encorajaram as classes B, C e D a irem às compras. Os magazines ajudaram, explica o representante da Abimóvel, reforçando na cabeça do consumidor o conceito d0e móvel popular. “Essa é a categoria que mais cresceu nos últimos anos. É um mercado excepcional”, completa Fernandez, que destaca ainda o aumento da qualidade e da variedade de matérias-primas utilizadas na fabricação dos produtos.

Personalização
A melhoria de materiais e o crédito farto também beneficiaram uma indústria até há pouco tempo restrita apenas aos endinheirados. Francisco Cálio, um dos mais requisitados decoradores do país, afirma que personalizar ambientes deixou de ser visto como luxo. “As pessoas querem, simplesmente, se sentirem bem quando estão em casa, receber bem os amigos”, justifica. Segundo o especialista, a clientela aumentou e, para determinados projetos, há até fila de espera. Sinal de uma era, não um modismo, adverte. “Todo mundo está investindo. Não é mais coisa só de elite. O poder aquisitivo do brasileiro melhorou e essa área da decoração vem se expandindo com o setor imobiliário”, reforça.

Só nos primeiros três meses do ano, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança alcançaram a marca de R$ 10 bilhões — 70% a mais do que no mesmo período do ano passado. A Caixa Econômica Federal, principal agente nessa modalidade de empréstimo, revisou para cima sua expectativa de concessão de crédito para a casa própria. A previsão agora é repassar cerca de R$ 174 bilhões, o equivalente a R$ 50 bilhões acima de todo o saldo de 2009. A distribuição desse recurso não se restringe a capitais e regiões metropolitanas, mas irriga também economias de cidades médias e até de municípios pequenos.

Verde
Eliana Azevedo, presidente da Associação Nacional de Paisagismo (ANP), comemora o bom momento. As empresas associadas à entidade têm reportado performances cada dia melhores. São clientes de todos os perfis e classes demandando assessoria especializada para incrementar com verde edifícios, praças e casas. “Um jardim bonito não é tão caro como antigamente”, lembra a empresária.

Projetos sob medida são os preferidos dos clientes. Como os preços caíram, muita gente que nem sonhava em ter um jardim bonito, hoje em dia, não abre mão de gastar um pouco a mais com o serviço. As construtoras e incorporadoras puxam o setor. Nas maquetes dos novos prédios, é raro não ver espaços exclusivos para áreas de lazer, parques e até pequenos bosques. “Houve um aumento muito forte da procura por parte de clientes de classe média, de pessoas que não tinham o hábito de pensar em paisagismo”, diz Eliana Azevedo.

Assim como ocorreu com as empresas que atuam da porta da casa para fora, o carimbo de supérfluo também não prejudica mais a indústria de lâmpadas e luminárias. Maurício Porto, consultor da Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (ABilumi), afirma que as facilidades que garantiram um maior acesso ao imóvel próprio, criadas nos últimos anos, reinventaram padrões. O aumento das importações de produtos mais econômicos ou sofisticados seria prova incontestável disso. “Sem dúvida, o boom imobiliário tem sido muito positivo para a nossa atividade”, afirma Porto.

Edifícios comerciais, residências, prédios públicos e todo tipo de empreendimento erguido recentemente conta hoje com acessórios de iluminação mais belos e práticos. O que há dois ou três anos era tendência, agora é regra. Grande comprador de itens de iluminação, o Brasil ampliou seus parceiros comerciais, incrementou o cardápio e diversificou os preços. O consumidor respondeu à altura. “A gente espera um crescimento de 10% neste ano”, acrescenta Porto, revelando ainda que muitos dos prédios e das casas que ainda estão no papel serão responsáveis por novos saltos nesse mercado próximos anos.

O número
R$ 20 bilhões

Receita esperada pelo setor de móveis com o aquecimento da demanda em 2010

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