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Correio Braziliense

Petrobras tem ajuda da CVM

Mudança em regra permite acelerar o processo de venda de bilhões de ações da estatal, prevista para setembro, pouco antes da eleição


postado em 15/07/2010 07:59 / atualizado em 15/07/2010 09:18

Uma pequena mudança nas regras para ofertas públicas de ações deve ajudar a Petrobras a fazer seu bilionário aumento de capital na primeira quinzena de setembro. De acordo com uma fonte envolvida com a operação e ouvida pela agência Reuters, as novas regras definidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que entram em vigor em 1º de agosto, liberam a empresa de esperar quase um mês entre a concessão do registro e o road show (apresentação para investidores) da oferta.

“Agora faz o registro e já sai para o road show, não tem mais aqueles 20 dias úteis”, explicou a fonte que não pode se identificar devido ao período de silêncio ao qual todos os envolvidos na operação estão submetidos. “Isso vai agilizar a capitalização”, complementou.

A Petrobras aprovou em junho aumento de capital de 150%, para R$ 150 bilhões, abrindo espaço para a oferta pública de ações da companhia adiada de julho para setembro. O volume total da operação ainda não foi divulgado e depende do preço que será certificado para o barril do petróleo em reservas não licitadas pelo governo na área do pré-sal(1) da bacia de Santos, a chamada cessão onerosa.

A empresa petrolífera aprovou em junho um aumento de capital de 150%, que poderá chegar a US$ 85 bilhões(foto: Petrobras ABr/Divulgação )
A empresa petrolífera aprovou em junho um aumento de capital de 150%, que poderá chegar a US$ 85 bilhões (foto: Petrobras ABr/Divulgação )
O governo, dono de 32% do capital da estatal, recebeu autorização do Congresso Nacional para conceder até 5 bilhões de barris de óleo equivalente em troca de ações da companhia, em uma operação intermediada por títulos públicos para evitar questionamentos na Justiça pelos acionistas minoritários.

O preço do barril vai definir o montante da capitalização, que pode atingir até US$ 85 bilhões após a autorização do aumento de capital da companhia, mas que é estimada pelo mercado em torno dos US$ 50 bilhões, sendo cerca de US$ 15 bilhões a parte do governo.

Mercado
Os papéis da empresa vêm perdendo valor desde o anúncio da operação de capitalização da empresa, no ano passado, em um movimento considerado normal pelo mercado por conta da previsão da oferta pública. Ontem, as ações da companhia, porém, andaram na contramão do mercado. Enquanto as preferenciais fecharam estáveis e as ordinárias subiram 0,32%, o Ibovespa caiu 0,32%. Mas neste ano, até 13 de julho, as ações da preferenciais já perderam 24,5%, contra queda de 7,1% do Ibovespa no mesmo período.

Ontem, o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, minimizou a desvalorização das ações da Petrobras nos últimos meses, dizendo ser normal em função da proximidade da capitalização da estatal. “O mercado é assim”, disse o ministro. “A Petrobras continua com as mesmas perspectivas positivas com um fator que foi muito interessante, que foi a aprovação do processo de capitalização. Não tem fundamento nenhum que se diga que a empresa está diferente do que estava, pelo contrário, está melhor.”

1 - Fase difícil
A Petrobras teve problemas na perfuração do poço denominado Libra, no pré-sal da bacia de Santos, o segundo poço feito para a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis com objetivo de encontrar reservas de petróleo que podem ser usadas na capitalização da estatal pelo governo. Segundo a assessoria da ANP, apesar do problema ocorrido no poço original, que desmoronou ao atingir a camada de sal, o trabalho já foi retomado na mesma estrutura. A nova perfuração está sendo feita a 375 metros da outra, informou um assessor.

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