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Correio Braziliense

Planalto impõe limites à venda


postado em 29/07/2010 07:52 / atualizado em 29/07/2010 08:02

Apesar de trabalhar arduamente nos bastidores para convencer o governo português a permitir a entrada da Portugal Telecom no capital da Oi, o presidente Lula negou que a operação contrarie os projetos do governo de ter uma companhia de telefonia com controle totalmente brasileiro. “Posso garantir que, enquanto for presidente (do Brasil), a Oi será uma empresa nacional”, disse. Em dezembro de 2008, sob o argumento de que o país precisava de uma supertele, com capital verde-amarelo, para competir com as estrangeiras que atuam no setor, o governo mudou a legislação e permitiu a compra da Brasil Telecom pela Telemar, o que deu origem à Oi.

Segundo Lula, setores do governo, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos principais acionistas e credores da Oi, acompanham de perto o fechamento da compra de 22,4% das ações da empresa pelos portugueses. Indagado se pode fazer algum tipo de ressalva ao negócio, fixando limites para a união da Oi com PT Telecom, o presidente limitou-se a dizer que, por ser uma operação privada, é preciso respeitar a soberania das empresas, sobretudo porque elas têm papéis listados em bolsa de valores. “Queremos que seja um bom negócio para o Brasil”, afirmou.

Reestruturação
Para o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, a parceria entre a Oi e a Portugal Telecom permitirá o aumento dos investimentos em banda larga no país, que hoje é uma das prioridades do governo. “O investimento é para melhorar a qualidade do serviço. E, como é a meta do governo, a expansão da banda larga beneficia o consumidor”, disse o ministro. A ideia é que, juntos, a Oi e os portugueses passem a operar o Plano Nacional de Banda Larga, concebido quando a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, comandava a Casa Civil. Assim como Lula, o ministro assegurou que a entrada da Portugal Telecom na Oi não muda a estrutura de controle da companhia, que continuará nacional, como é interesse do governo.

Orientado pelo Palácio do Planalto a dar total suporte ao casamento entre a Oi e a PT Telecom, o BNDES informou que considera bastante positiva a operação “A iniciativa garante que os pressupostos da reestruturação societária apoiada pelo banco em 2008 serão integralmente mantidos. Ou seja, a empresa continuará a ser uma companhia de telecomunicações com controle brasileiro, capaz de competir com eficiência no país e ocupar espaços também no mercado internacional”, destacou em nota.

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