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Correio Braziliense

Entrevista - Luís Felipe Miranda

Com o maior exército de revendedoras do mundo no país - 1,1 milhão de pessoas -, a empresa faturará mais de US$ 2 bilhões este ano


postado em 09/08/2010 07:51 / atualizado em 09/08/2010 09:53

Até o fim do ano, a terra do Tio Sam será ultrapassada pela bandeira verde-amarela no mercado de vendas diretas ao consumidor — pelo menos para a Avon, a maior empresa do segmento no mundo. A companhia, que se ergueu e se mantém pelo comércio de porta em porta, vê no crescimento econômico do Brasil o cenário ideal para expandir seus negócios. Se perdurar o quadro de desaquecimento nos Estados Unidos, a empresa não enxerga espaço para melhorias em seu país de origem. O mercado norte-americano vem encolhendo a quase 8% ao ano para os cosméticos da marca, ao passo que, no Brasil, o ritmo de avanço do faturamento, entre 2007 e 2009, superou os 16% ao ano. Se a situação se repetir em 2010, as receitas aqui passarão dos US$ 2 bilhões, algo como 20% do segmento.

Com uma capacidade elevada de gerar riquezas, o Brasil tem chamado a atenção do mundo e a Avon não quer ficar de fora, principalmente com o país se tornando o principal mercado para a companhia. No último ano, aplicou US$ 150 milhões em um centro de distribuição, apostou no relacionamento com a força de venda e, hoje, tem no país o seu maior exército de revendedoras do planeta — 1,1 milhão de pessoas. Sempre comedido e diplomático, o presidente da empresa, Luís Felipe Miranda, 51 anos, um peruano nacionalizado venezuelano, revela ao Correio o interesse da empresa de cosméticos nos mercados emergentes e principalmente no brasileiro. “A Avon está muito otimista e tranquila em investir nessas regiões e, especialmente, no Brasil”, diz. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista de Miranda.

Para a Avon, o Brasil vai passar os EUA. Em algum momento pode ser necessário reinventar a fórmula de venda da Avon?
Estamos completando 125 anos no mundo com a mesma fórmula e o princípio do nosso negócio é o contato direto. Isso não vai mudar nunca. Evidentemente, a forma como nos aproximamos do consumidor vai ficando diferente. Há alguns anos, ninguém falava em venda eletrônica na internet. Para melhorar a nossa posição no Brasil, fizemos vários investimentos em manufatura, tecnologias arrojadas e em equipamentos diferentes. Um dos principais foi em internet. Hoje, temos várias ferramentas para contatar os clientes. Temos um site que nos aproxima da nossa força de venda e, ao mesmo tempo, é uma loja virtual.

(foto: Avon/Divulgação )
(foto: Avon/Divulgação )
Essa forma de venda direta atinge somente o público C e D?
Temos hoje 1,1 milhão de revendedoras em todo o país. O contato do nossa força de venda é com todo tipo de público. Nossos produtos são de muita qualidade, de alta tecnologia e têm preços razoáveis, o que permite o acesso a todas as classes sociais. Nós temos produtos para todos os públicos, de perfumaria, para a pele e alguns importados. Nossa aproximação é diferente por grupo de clientes. Nosso objetivo é que todos tenham acesso a alta tecnologia em cosméticos.

Com os estragos provocados pela crise financeira mundial,
especialmente nas economias mais ricas, como a Avon vê os mercados emergentes?
A expansão geográfica é algo importante para a nossa companhia. E é evidente que o mundo tem ciclos econômicos. O Brasil já passou por uma crise inflacionária, a Argentina vive alguns problemas, mas, hoje, os países emergentes têm uma importância muito grande para o mundo. Existe a economia chinesa, que contribui muito para o crescimento global e é uma grande consumidora de todos os tipos de produtos. Para a Avon, a América Latina é importantíssima. É um continente que está no foco das estratégias da nossa companhia. A Europa e Rússia têm participação importante no nosso negócio, e a combinação dos portifólios de muitos países não me permite um balanço que mensure o impacto dos emergentes. Mas, hoje, a Europa está em uma crise e os países emergentes estão mostrando crescimento bastante consistente — uma expansão que possibilitou um forte crescimento da nossa companhia nos últimos anos.

Será possível crescer de forma sustentável no pós-crise?
Acredito que sim. Estamos confiantes na recuperação da dinâmica econômica dos países mais desenvolvidos. Temos a informação bastante precisa de que o mundo e os mercados em que estamos atuando estão se recuperando. As nações mais ricas estão começando a aumentar seus níveis de consumo. Falando da América Latina, e do Brasil especificamente, temos muita confiança de que essas regiões estão vivendo um crescimento estável e consistente. A Avon está muito otimista e tranquila em investir nessas regiões e, especialmente, no Brasil.

Existe alguma região do Brasil mais interessante para a Avon?
Temos uma movimentação muito boa no país. As diferenças climáticas e culturais o tornam tão diverso, que atendemos públicos completamente distintos. Temos um crescimento muito similar em todas as regiões. O Nordeste, nos últimos anos, está tendo uma expansão importante. Um avanço que tem muito a ver com a melhora do poder de compra da população. Eles (os nordestinos) estão com uma capacidade de endividamento e de compras mais elevada em função de haver mais emprego na região. Tudo isso está influenciando diretamente o consumo das pessoas por lá. Podemos avaliar que até os mais pobres estão comprando mais.

Qual a visão da empresa sobre as eleições deste ano no país?
Não vamos apoiar nenhum candidato. Não vamos participar da política. Mas, graças a Deus, o Brasil encontrou uma maturidade política. Na economia, está evoluindo a passos largos, caminhando muito bem e atraindo os olhos do restante do mundo. Hoje, a democracia deu um norte certo para o país, como se existisse um único projeto de longo prazo e que está permitindo, independentemente do candidato que ganhe o pleito de outubro, a continuidade do crescimento.

O intenso consumo no Brasil tem pressionado o custo de vida. Com o mercado de cosméticos aconteceu a mesma coisa?
Os preços não subiram. No nosso mercado, está havendo muita concorrência, o que é bom. Quando há uma concorrência saudável, a competição ajuda você a melhorar. A gente está em um mercado em expansão e de consumo muito forte, mas realizamos muitos investimentos que absorvem os possíveis impactos negativos dessa demanda gigantesca do brasileiro. Hoje, podemos aumentar a produtividade e, por mais que o mercado esteja aquecido, não haverá pressão nos preços dos nossos produtos.

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