Publicidade

Correio Braziliense

Cartão de crédito puxa alta do calote

Na visão da Serasa, brasileiro está se sentindo confiante demais para gastar além da capacidade de pagamento. A dica é ter cautela


postado em 13/08/2010 08:06

A despeito do aumento do emprego e da renda no país, a inadimplência dos consumidores voltou a crescer. O movimento foi puxado pelos cartões de crédito. Segundo a Serasa Experian, de junho para julho, o atraso no pagamento das faturas cresceu 4,4%, respondendo por 1,4 ponto percentual do salto total de 1,5% do calote. A dificuldade dos brasileiros em honrar os compromissos no dinheiro de plástico só aumentou a disposição do Ministério da Justiça e do Banco Central de intervir no setor. Além de empurrarem mais de 50 tarifas para os usuários, as administradoras dos cartões cobram juros de até 600% ao ano.

Na comparação entre julho deste ano como mesmo mês do ano passado, a inadimplência avançou 3,9%. “O brasileiro está mais tranquilo para consumir porque está confiante na economia. Este ano houve um recorde na geração de empregos. E há uma grande oferta de crédito. Mas ele precisa se planejar. Não é porque tem um limite grande de crédito que deve utilizá-lo”, alertou o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida.

Inadimplência
Segundo ele, há ainda um outro dado que preocupa: a inadimplência aumenta o risco das instituições financeiras de emprestarem recursos. Com isso, surge a pressão por elevação dos juros por meio do spread, diferença entre a taxa paga aos investidores e a cobrada dos devedores. “Tudo está caminhando para o encarecimento do crédito, a começar pelo aperto monetário conduzido pelo Banco Central desde abril”, destacou. Ou seja, os problemas só tendem a crescer, pois, com juros mais altos, as dívidas ficam ainda mais caras e o consumidor terá mais dificuldade para pagá-las. Há, porém, dados positivos nos indicadores divulgados pela Serasa, o que alivia o cenário traçado pelos analistas. No acumulado do ano, a inadimplência ainda registra queda de 1,4%. Uma das razões para isso é o avanço maior do crédito em relação ao índice de calotes. Nos últimos 12 meses, por exemplo, o total de empréstimos e financiamentos foi de 16%. Mas a tendência neste terceiro trimestre do ano, segundo Almeida, é de aumento da inadimplência. E ela continuará sendo puxada pelo cartão de crédito.

Opção pelo pagamento mínimo da fatura do cartão é a principal razão do aumento da inadimplência(foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press )
Opção pelo pagamento mínimo da fatura do cartão é a principal razão do aumento da inadimplência (foto: Paulo H. Carvalho/CB/D.A Press )
“Na hora de comprar, o consumidor opta pelo cartão, pois há a possibilidade de se pagar somente o mínimo da fatura”, explicou o economista da Serasa. “A inadimplência vem crescendo há três meses e deve continuar, pois sabemos que houve recorde de vendas no Dia dos Pais. Além disso, vem aumentando o consumo de produtos de maior valor agregado”, assinalou. Na média, o débito em atraso no cartão é de R$ 384,37 ante os R$ 1.230,23 dos cheques sem fundo e dos R$ 1.324,09 dos empréstimos bancários.

JUROS SOBEM, APONTA PROCON-SP
» Pesquisa de taxas de juros do Procon-SP constatou que as taxas médias do empréstimo pessoal e do cheque especial voltaram a aumentar em agosto, a quarta alta consecutiva depois de um período de estabilidade. Três instituições elevaram suas taxas no empréstimo pessoal e cinco, no cheque especial. As variações foram mais modestas do que as do mês passado e refletiram o comportamento mais flexível das autoridades monetárias. No empréstimo pessoal, a taxa média dos bancos pesquisados foi de 5,44% ao mês, superior à de julho, de 5,42%, um acréscimo de 0,02 ponto percentual. A taxa média dos bancos pesquisados no cheque especial foi de 9,1% em agosto, superior aos 9,06% de julho — alta de 0,04 ponto percentual.

iPhone com assistência

Naiobe Quelem

Após vender iPhones por mais de dois anos aqui no país, somente agora a Apple Computer Brasil Ltda. passará a oferecer aos consumidores um canal de atendimento aos clientes que necessitarem de assistência técnica autorizada para o produto, principalmente para os celulares fora do prazo ou das condições de garantia. O novo número (0800-77-27753) foi informado, ontem, por representantes da área técnica do fabricante durante reunião com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo a Agência, o serviço foi testado e, após o contato do cliente, o aparelho deve ser reparado em até cinco dias.

A providência da Apple foi uma resposta à Anatel que, no último dia 3, após denúncia do Correio, pediu esclarecimentos ao fabricante no Brasil sobre a estrutura de suporte técnico ofertada aos usuários para os produtos fora do período ou das condições de garantia. Isso porque, apesar de ter um representante formal por aqui, a Apple não comercializa o iPhone diretamente, mas sim por meio de acordo firmado com as empresas de telefonia celular, como a Oi, a Claro, a Vivo e a Tim. Durante a garantia de 12 meses, se o telefone apresenta algum defeito de fabricação, o cliente é direcionado para a operadora e geralmente não enfrenta dificuldade com a troca.

Mas, até então, quando o problema tinha sido provocado pelo próprio usuário ou ocorresse fora do período de cobertura de um ano, a responsabilidade em disponibilizar suporte técnico ainda não era clara. A Anatel não informou se a Apple Brasil poderá ser responsabilizada pelo período em que deixou de cumprir a obrigação com os consumidores brasileiros.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade