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Correio Braziliense

Europa cresce mais que os Estados Unidos

Alemanha, com expansão de 2,2% de seu PIB, puxa a Zona do Euro, que, apesar de toda a crise, evolui 1% no segundo trimestre


postado em 14/08/2010 07:00


Dublin — O crescimento econômico europeu acelerou no segundo trimestre de 2010, com o desempenho da Alemanha ofuscando as dificuldades de Espanha, Irlanda e Grécia. O desempenho alemão acima do previsto, combinado com a expansão sólida, mas menos impressionante da França, impulsionou a taxa de crescimento agregado dos 16 países da Zona do Euro para 1% em relação ao trimestre anterior.

O maior ritmo de expansão do bloco monetário em mais de três anos, que se compara ao avanço econômico de apenas 0,2% no primeiro trimestre, ficou acima das previsões do mercado e também acima do crescimento de 0,6% registrado nos Estados Unidos no período.

Muitos economistas se surpreenderam com o tamanho do crescimento, mas eles esperam uma nova desaceleração a partir do segundo semestre, quando as medidas de austeridade na Alemanha e em outras nações mais fracas podem afetar a economia, especialmente se a desaceleração da China diminuir a demanda asiática por bens europeus.

O Produto Interno Bruto (PIB) alemão subiu 2,2% na comparação trimestral, a maior expansão desde que o país se reunificou no início dos anos 1990, após a queda do Muro de Berlim. Alguns economistas esperam, agora, que a economia da Alemanha cresça pelo menos 3% no ano como um todo, algo que só uma expansão moderada no terceiro e quarto trimestre possibilitaria.

Desaceleração
“Dados os sinais de que a demanda global já está enfraquecendo, o crescimento alemão provavelmente irá desacelerar. Uma recuperação sustentável exigiria uma retomada significativa no gasto do consumidor, o que parece improvável, já que a consolidação fiscal da Alemanha começa no ano que vem”, disse Jennifer McKeown, da consultoria Capital Economics em Londres.

O elemento mais impressionante é a distância que a economia exportadora da Alemanha abriu em relação ao resto do bloco, não apenas em comparação à Grécia e a outras economias frágeis, como as de Portugal, Irlanda e Espanha. A França, que depende mais da demanda doméstica que sua vizinha, registrou crescimento de 0,6% no segundo trimestre, com boa parte do ganho vinda da demanda interna e da reconstrução de estoques.

Superavit comercial
Os 16 países que integram a Zona do Euro registraram em junho um superavit comercial de 2,4 bilhões de euros, após um forte deficit de 3,3 bilhões de euros em maio, segundo uma primeira estimativa da agência de estatísticas Eurostat. Em junho de 2009, a região registrou um excedente do comércio exterior de 5,2 bilhões de euros. O volume de negócios da União Europeia (UE) com os principais sócios aumentou entre janeiro e maio de 2010, com exceção dos Estados Unidos, que retrocedeu 0,8%. Para as exportações, as maiores altas foram para Brasil (51%), China (42%) e Turquia (37%), enquanto as importações procedentes da Rússia e da Índia foram as que mais progrediram, 45% e 22%, respectivamente. Alemanha, Holanda e Irlanda foram os países da UE que registraram maiores excedentes comerciais nos primeiros cinco meses do ano, enquanto Grã-Bretanha, França e Espanha registraram os maiores deficits.

Medidas adicionais
Para dar suporte à fraquejante economia dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) provavelmente vai dar mais passos no sentido de afrouxar a política monetária, além dos já anunciados nesta semana, incluindo a compra de volumes maiores de ativos do governo norte-americano, disse Henry Kaufman, veterano economista de Wall Street, ex-economista-chefe da Salomon Brothers.

Na terça-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que vai reinvestir o principal dos pagamentos de dívidas de agência e de ativos atrelados a hipotecas em Treasuries (títulos do governo federal norte-americano) de vencimento mais longo. Questionado se isso é suficiente para impulsionar a economia, Kaufman respondeu à Reuters que essa é uma discreta medida de expansão monetária. “Não acho que esse é o último (passo). Acho que haverá outras medidas do Fed”, disse ele.

Kaufman acredita que, dentro de algum tempo, o Fed vai comprar mais títulos governamentais de vencimento longo. “Outra medida de expansão monetária que o Fed pode tomar seria reduzir o juro que o BC dos EUA paga sobre o excesso de reservas bancárias”, afirmou.

Aposta perigosa
Para o presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, o Federal Reserve está com uma “aposta perigosa” ao manter o juro perto de zero por tanto tempo e defende a necessidade de começar a elevar a taxa caso não queira ameaçar a recuperação da economia. “Para ser claro, eu não defendo uma política de aperto monetário”, disse. “Eu defendo uma política que continue expansionista, mas que lentamente se acomode conforme a economia cresça e caminhe para um equilíbrio”. Hoenig tem sido o único dissidente do comitê do Fed, que define o juro dos EUA.

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