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Correio Braziliense

Entrevista - João Claudino Júnior

Presidente da Houston, instalada em Teresina, revela como a marca encravada no meio do Nordeste pretende ganhar todos os brasileiros


postado em 15/08/2010 10:29 / atualizado em 15/08/2010 10:35

(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
João Claudino Júnior é presidente da Houston, fábrica de bicicletas, ventiladores e equipamentos para fitness localizada em Teresina (PI). Até recentemente desconhecida do grande público, a marca faturou quase R$ 100 milhões com as “magrelas” em 2009, calcula chegar aos R$ 130 milhões este ano e quer abocanhar 15% do mercado nacional até 2011, o que a tornaria líder do segmento no país. Com mais de 800 funcionários, a empresa pertence ao grupo Claudino, detentor de um conglomerado de empreendimentos no Nordeste, como a rede de varejo Armazém Paraíba e a fábrica de roupas Ônix Jeans.

Um dos maiores feitos da Houston, e que ajuda a entender seu sucesso, foi um ousado lance de marketing no horário nobre da TV brasileira. A empresa fechou parceria com a Rede Globo para fazer merchandising de suas bicicletas na novela Passione. Para sustentar a ousadia, o grupo investe R$ 8 milhões na marca e quer aumentar a capacidade da fábrica em Teresina para a produção de até 1,1 milhão de unidades por ano. Além disso, planeja inaugurar uma nova fábrica em Manaus (AM), onde, especula-se, poderia estrear a produção de motocicletas. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida por João Claudino ao Correio.

A bicicleta da novela embala

Por que fabricar bicicletas em Teresina e não mais próximo dos grandes centros consumidores, como Rio de Janeiro e São Paulo?

Em primeiro lugar, por uma questão de raiz. Todos os outros empreendimentos do grupo têm base em Teresina. Mas não obstante essa realidade, a cidade tem uma localização estratégica. Estamos em um raio de 900km de todas as capitais do Nordeste. Com isso, a gente atende a todas, que era o início da proposta, e também boa parte da região Norte. Obviamente que, quando começamos a conquistar outros estados das regiões Sul e Sudeste, tivemos que pensar também logisticamente. Temos um benefício grande aqui, que é o frete de retorno para a Região Sudeste.

A ideia de uma nova fábrica em Manaus é para produzir artigos com maior valor agregado?
No decorrer dos últimos anos, a gente já tem visto na nossa linha uma crescente no tíquete médio (valor dos produtos) que oferecemos aos nossos varejistas. É por isso que, ao longo dos anos, amadurecemos mais ainda a ideia de ir para Manaus. Tradicionalmente, as principais marcas que lá estão oferecem produtos de valor agregado, pois a região tem toda uma cadeia de isenção de impostos. Para que eu fizesse essa produção em Teresina, entraria desfalcado em qualquer luta com as marcas que lá se encontram.

Na fábrica de Teresina, é possível observar motos com a marca Houston. Isso é fruto de algum experimento, já que vocês não comercializam esse tipo de produto?
Temos diversos projetos. Quando você trabalha com bicicleta, é sabedor que normalmente o ciclista de hoje é o motociclista de amanhã. E a Houston, conhecedora desse mercado, sempre fez projetos tanto de bicicletas motorizadas como de elétricas. Não é o nosso foco primário, uma vez que temos atingido um crescimento consistente, ano após ano. Nossa pauta para a ida a Manaus não é a de motocicletas, mas a de engrandecer nossa participação no segmento de bicicletas, como também de aparelhos de ginástica para uso caseiro.

O crescimento de 30% em 2010 foi resultado do aumento do poder de compra da população?
É parte considerável, uma vez que esse crescimento tem se mostrado para o nosso setor, mas também para todos os outros setores. Aliado a isso, acredito que a Houston, no decorrer dos últimos cinco anos, foi a fábrica de bicicletas no Brasil que mais investiu no crescimento de marketing institucional. O que nós celebramos, este ano, de investimento em horário nobre, aliado a outros investimentos também na mídia para a fixação dessa marca, é algo que suplanta a média de investimentos de todas as outras. Então é natural esperar que a nossa média de crescimento seja bem maior que a do setor no Brasil.

Por falar em marketing, o destaque fica para o merchandising na novela Passione?
Exatamente esse merchandising, no horário mais nobre da TV, na trama que qualquer anunciante de qualquer setor gostaria de fazer. Tivemos a felicidade de fazer uma parceria com a Globo, a qual tem mostrado o produto e tem criado um núcleo não só para a Houston, mas feito um esforço quase que institucional para o segmento de ciclismo. Eu não me recordo nos últimos 20 ou 25 anos quando foi que teve algo desse porte para o segmento de ciclismo no Brasil.

Os programas de transferência de renda ajudaram a puxar as vendas de bicicletas no Nordeste?
Qualquer programa, seja do governo ou privado, que coloca mais recursos no mercado tende a movimentar mais a economia. Mas eu não diria que, exclusivamente, a questão de qualquer programa seja a única justificativa para o aumento nas vendas. Basta observar que a maior parte da nossa produção é voltada para as regiões Sul e Sudeste, onde esses programas do governo são muito inferiores ao que está presente nas regiões Norte e Nordeste.

Sabendo que o mercado interno está muito aquecido, o foco de vocês é o de suprir essa demanda nacional ou existe plano para iniciar um processo de exportação?
O Brasil é um mercado muito grande e está aquecido, mas não o suficiente para dizer que é um superaquecimento. Eu acredito que, neste ano, o segmento de bicicleta crescerá por volta de 5% a 6%, o que é um crescimento esperado para o próprio Brasil. O país não tem uma característica de exportador. Se pegar a pauta de exportação do segmento de bicicletas, me parece que não chega a 1% ou 2% da produção brasileira, porque o mercado é grande e precisa ser trabalhado. Nós da Houston acreditamos que, por conhecermos e por termos uma história recente, temos sabido trabalhar melhor que os demais, presentes no setor há muitos e muitos anos.

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