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Correio Braziliense

Espanha afrouxa o arrocho fiscal

Governo planeja aumentar os gastos com obras públicas em 500 milhões de euros para 2011, depois de ter anunciado cortes de 6,4 bilhões de euros nos investimentos com infraestrutura


postado em 19/08/2010 07:42

Madri — A Espanha reduzirá em 500 milhões de euros os cortes de gastos em obras públicas planejados para o ano que vem e pretende financiar a mudança por meio de custos de financiamento menores, disse a ministra da Economia, Elena Salgado.

O governo espanhol havia anunciado cortes de 6,4 bilhões de euros nos gastos com infraestrutura, parte das medidas de austeridade para diminuir o deficit para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), limite imposto pela União Europeia, até 2013. No ano passado, o deficit no orçamento do país foi de 11,2%.

O governo ainda tem seis semanas para publicar o orçamento de 2011 e a ministra reafirmou que a Espanha continua comprometida a reduzir o deficit para 6% do PIB até o próximo ano.

Os custos de financiamento da Espanha dispararam em maio e junho, com a preocupação dos investidores de que o país acompanhasse a crise de dívida da Grécia. O risco do país, medido pelo sobrepreço (spread) dos bônus espanhóis em relação aos bônus referenciais alemães, chegou a mais de 200 pontos-básicos.

Mas o spread caiu abaixo de 160 pontos-básicos depois que o governo anunciou enormes cortes de gastos e refomas trabalhistas para criar emprego. Elena Salgado disse que o teto para os gastos estatais no orçamento do ano que vem é de 122,256 bilhões de euros, 7,7% a menos do que em 2010.

Classificação
Na terça-feira, a agência de classificação de risco Moody`s afirmou ainda ter dúvidas sobre as perspectivas para as finanças públicas da Espanha, a ponto de manter o rating “Aaa” do país em revisão, apesar dos esforços de austeridade do governo.

A Espanha anunciou medidas de austeridade no montante de cerca de 65 bilhões de euros, incluindo reformas impopulares no mercado de trabalho. Para o analista de crédito soberano da Moody’s Alexander Kockerbeck, o governo espanhol tem mostrado um grande compromisso em tentar resolver seus desafios fiscais, mas os custos de financiamento da dívida correm o risco de crescer a níveis que podem pôr em perigo a nota.

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