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Correio Braziliense

Tishman Speyer chega à Brasília para erguer três torres de 16 andares


postado em 28/08/2010 07:00

Rio de Janeiro — A gigante norte-americana do setor imobiliário Tishman Speyer avança cada vez mais no Brasil. Aproveitando os bons ventos da economia e o aquecimento do mercado imobiliário nacional, a incorporadora de prédios de alto padrão aposta agora suas fichas em Brasília. O parceiro local da empreitada é a brasiliense Via Engenharia, que acaba de concluir a construção da nova Câmara Distrital e vem tocando as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O empreendimento, um conjunto de três torres de 16 andares, exigirá R$ 500 milhões em investimentos e promete ser uma referência entre os edifícios comerciais no Distrito Federal. O primeiro edifício será concluído em 2012.

Maquete do megaprojeto: foco nas grandes empresas e no governo(foto: Tishman Speyer/Divulgação )
Maquete do megaprojeto: foco nas grandes empresas e no governo (foto: Tishman Speyer/Divulgação )
A Tishman detém 85% do negócio enquanto a Via, dona do terreno, possui 15%. O projeto será apresentado ao mercado no fim de setembro e a previsão é que o lançamento ocorra no início de 2011. “Brasília tem um mercado potencial enorme e uma demanda bastante reprimida. Estávamos em São Paulo e no Rio de Janeiro e sentíamos a necessidade de expandir os negócios no país. A capital do país era uma cidade que a gente achava que tinha condições para isso. Percebemos a oportunidade”, relatou o diretor da Tishman, Daniel Cherman, em entrevista ao Correio.

O empreendimento conjunto, denominado Green Towers Brasília, será erguido em um dos poucos terrenos vagos do Plano Piloto, no setor de autarquias. A construção ocupará uma área de quase 10 mil metros quadrados e os três prédios terão, ao fim da obra, 85 mil m2 de área total. Cada andar de 1,7 mil m2 a 5,4 m2 de área, o piso será elevado e serão quatro os subsolos de estacionamento, com um total de quase duas mil vagas. O conjunto terá ainda um jardim vertical de quase 70 metros de altura.

Edifício verde
As escavações já começaram há quase dois meses e o projeto foi desenvolvido nos padrões para qualificação da certificação norte-americana Leed (Leadership in Energy and Enviromental Design), a mesma do Hearst Tower, em Nova York. Para obter a credencial, são necessários itens diferenciais voltados para a sustentabilidade do prédio, como o histórico da destinação de toda a terra retirada durante a escavação da obra, o reuso da água e a instalação de elevadores inteligentes que informem ao passageiro qual deles chegará mais rápido, além do reaproveitamento da energia utilizada pelos equipamentos.

Após a confirmação de todos os passos durante a execução das obras, a certificação dará ao empreendimento o título de primeiro “prédio verde” de Brasília. De acordo com o presidente do conselho do Green Building Council, José Moulin Netto, atualmente existem no Brasil 180 processos de certificação em andamento e, por enquanto, somente 18 receberam o selo da Leed. “Nem todos os empreendimentos que se cadastram conseguem essa certificação, que é bem específica e difícil de se obter”, lembrou o presidente da Via, Fernando Márcio Queiroz. Ele alerta que é preciso ter cuidado com empresas que dizem ter se cadastrado na certificadora, porque é comum encontrar empreendimentos sem a credencial.

O empresário aposta nas multinacionais e grandes grupos nacionais que hoje se instalam ou ampliam escritórios em Brasília, ou mesmo órgãos do governo mal acomodados em suas repartições, como público-alvo do Green Towers. “Estamos em negociação. Hoje muitos órgãos estão espalhados em vários prédios. É nesse mercado que vamos nos focar”, revelou.


CIDADES MAIS CARAS
O mercado imobiliário de Brasília é atípico. Aquecido, tem um dos maiores custos por metro quadrado do país e está bem próximo dos preços médios praticados em São Paulo e no Rio de Janeiro, as duas cidades mais caras no território nacional, segundo o diretor da CB Richard Ellis, André Sartori. A oferta de escritórios de alto padrão em Brasília, disse, é muito baixa e há poucas unidades vagas no geral: menos de 3%, enquanto a média do mercado brasileiro é de 9% a 10%.

O número
85 mil m2
Total da área prevista para as torres trigêmeas ao fim da obra


A repórter viajou a convite da Tishman Speyer

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