postado em 03/09/2010 13:07
Brasília - A grande surpresa, e o lado ruim, do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre divulgado nesta sexta-feira (3/9) é o gasto do governo, que aumentou 2,1% em comparação ao primeiro trimestre e 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A avaliação é da economista sênior do Royal Bank of Scotland para a América Latina, Zeina Latif.;Acho que esses 2% de crescimento de gastos do governo realmente não ajudaram, pensando sempre na preocupação do sobreaquecimento da economia, é claro;, disse à Agência Brasil. Uma das preocupações da área econômica é evitar um crescimento excessivo da economia após a saída da crise, que afetou o país no ano passado.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 1,2% na comparação do segundo trimestre de 2010, descontados os fatores sazonais, com o primeiro trimestre do ano. O maior destaque, segundo o IBGE, foi a agropecuária (2,1%), seguida pela indústria (1,9%). Os serviços apresentaram expansão de 1,2%.
Outro destaque foi o crescimento da formação bruta de capital fixo (investimento planejado), que teve expansão de 2,4% no segundo trimestre deste ano. Já a despesa de consumo das famílias cresceu apenas 0,8%.
;A gente vê uma moderação do consumo, que foi importante, mas ao mesmo tempo a formação bruta de capital, ainda que tenha desacelerado, é uma taxa boa;, observou Zeina.
Diante dos números, a economista acredita que o crescimento da economia deverá ficar entre 7% e 7,5% este ano. Como analista de mercado financeiro, ela acredita que deve ser essa a mesma expectativa do setor.
;Acho que a tendência é que aquele movimento que a gente vinha vendo no [boletim] Focus de redução das projeções obviamente se reverta;. O Focus é o relatório semanal do Banco Central que apura com o mercado as expectativas para indicadores econômicos.
Na comparação com o segundo trimestre de 2009, o PIB cresceu 8,8%. Em 12 meses, a alta foi de 5,1%. No acumulado no ano de 2010, em relação ao mesmo período de 2009, o PIB variou 8,9%. O PIB em valores correntes alcançou R$ 900,7 bilhões.