Economia

Preço de latinha reciclável sobe 20%, mas não recupera valor pré-crise

postado em 02/02/2011 15:48
São Paulo ; O crescimento econômico do país em 2010 beneficiou os catadores de material reciclável. Durante o ano, o preço da lata de alumínio, um dos descartes mais rentáveis da indústria da reciclagem, aumentou quase 20%. Apesar disso, o valor do produto ainda não recuperou o patamar alcançado no período pré-crise econômica de 2008.

De acordo boletins divulgados semanalmente pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o quilograma (kg) de latas de alumínio prensadas era vendido por R$ 2,73 na primeira quinzena de janeiro de 2010. Um ano depois, o quilo das latinhas subiu para R$ 3,25. O valor, entretanto, ainda é 6% menor do que a cotação do produto em 2008. Segundo a Abal, naquele ano, o quilo de latas prensadas chegou a valer R$ 3,47.

Apesar da melhora nos preços verificada no ano passado, os catadores de material reciclável ainda esperam que os preços voltem aos níveis de 2008. ;Melhorou de lá pra cá, mas ainda não voltou a ser o que era;, disse Sérgio da Silva Santos, coordenador financeiro da Coopere Centro, uma cooperativa de catadores de São Paulo.

Em entrevista à Agência Brasil, ele confirmou a alta no preço das latinhas e disse que ela foi acompanhada pelo aumento dos preços de outros materiais recicláveis, como papelão e papel. Santos disse, porém, que a alta ainda não compensou a queda dos preços ocorrida dois anos atrás. ;Tivemos que dobrar nossa produção para manter os ganhos de cerca de R$ 800 por mês;, disse ele. ;Agora, está melhorando, mas ainda não é como antes.;

José Iramar de Araújo, que trabalha na cooperativa Coomare, de Goiânia, também sentiu na própria renda a variação dos preços dos recicláveis. Durante a crise financeira, o rendimento dele chegou a cair para R$ 300 por mês, menos que um salário mínimo oficial. Só agora, ele conseguiu retornar ao patamar de ganhos em torno de R$ 800 mensais. ;Muita gente da nossa cooperativa chegou a largar a reciclagem;, disse ele. ;Agora, o preço melhorou. Só falta a gente melhorar o sistema de comercialização das cooperativas.;

Segundo Araújo, muitas cooperativas não conseguem recolher um volume de material suficiente para negociar diretamente com a indústria. Acabam obrigados a vender os descartes para intermediários, reduzindo os ganhos dos cooperados.

O coordenador da Comissão de Reciclagem da Abal, Henio de Nicola, disse que, no caso das latas, a parte dos intermediários chega a 20%. Mesmo assim, ele afirmou que a reciclagem de alumínio continua sendo a atividade mais rentável para os catadores do país.

Só no ano passado, segundo a Abal, foram recicladas 200 mil toneladas de latas de alumínio. Isso representa 98% do total de latas vendidas no mercado nacional, o que faz do Brasil um dos campeões mundiais de reaproveitamento de alumínio.

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