Economia

Câmara dos Representantes aprova corte orçamentário de US$ 61 bilhões

postado em 19/02/2011 16:14

Washington - A Câmara dos Representantes, controlada pela oposição republicana, votou na madrugada deste sábado um corte de 61 bilhões de dólares no gasto público. A decisão, adotada por 235 votos a 189, enfrentará agora um acirrado debate no Senado, onde o Partido Democrata do presidente Barack Obama possui maioria e há maior oposição aos cortes.

Um impasse neste tema pode ter graves consequências políticas. Como os membros do Congresso não foram capazes de concordar a respeito de um orçamento no ano passado, o governo americano é financiado atualmente através de uma medida provisória de gastos, que expira no dia 4 de março. Especialistas advertem que as discussões cada vez mais acaloradas e as brigas no Congresso podem levar ao fracasso o orçamento deste ano, bomba com o potencial de abalar gravemente o governo, paralisando-o.

As restrições aprovadas incluem a polêmica reforma do sistema público de saúde promovida por Obama e medidas para impedir que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) regule indústrias que emitem gases causadores do efeito estufa. Além disso, limitam o papel do governo na educação. Os republicanos estão exultantes. "É a democracia em ação", comemorou o líder do partido na Câmara, John Boehner.

Mas os democratas, que votaram unanimemente contra, não se conformam com o resultado da votação. "Tirar recursos da reforma da saúde vai prejudicar milhares de pessoas que eu represento em Wisconsin", disse a representante democrata Tammy Baldwin. Mas nem todas as propostas republicanas foram adiante, como a iniciativa para acabar com a contribuição anual de Washington às Nações Unidas, sugerida pelo representante Paul Broun - cujo argumento é que o dinheiro destinado à ONU é jogado "num buraco".

Os Estados Unidos são o maior contribuinte da organização, tendo aportado em 2010 2,5 milhões de dólares para a manutenção das forças de paz e orçamentos regulares. Também foi rejeitada uma emenda para cortar 400 milhões de dólares de um fundo para construir a infraestrutura devastada pela guerra do Afeganistão, e outra para eliminar o 1,5 milhão de dólares do fundo das Forças de Segurança do Iraque.

Além disso, em uma votação de 246 a 183, os representantes se opuseram ao corte do dinheiro fundamental para resolver uma disputa de subsídios do algodão com o Brasil. Os republicanos prometeram, por outro lado, privilegiar o Pentágono e manter a ajuda a Israel e ao Egito intacta, mas reiteraram que Washington deve apertar os cintos para reduzir o déficit orçamentário anual e sua gigantesca dívida interna nacional.

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