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Estado de Minas

Fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar é criticada por elevar preços


postado em 07/07/2011 08:33

A união do Pão de Açúcar com o Carrefour vai acabar com a concorrência no setor de supermercados e causar danos imensuráveis aos donos de pequenos mercados e microempresas, avaliou ontem o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior, ao comentar o negócio que o empresário Abilio Diniz tenta costurar com a ajuda do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES).

“Enquanto os pequenos empresários sofrem com as altas taxas de juros, você vê uma fusão que não toca na cadeia produtiva, mas sim na especulativa”, disse, numa referência à fixação de preços pelo comércio. A insatisfação tem motivo.

Ontem, Abilio Diniz soltou mais uma de suas polêmicas declarações, insinuando que a rede norte-americana Wal-Mart seria a grande interessada na participação do francês Casino no Pão de Açúcar, como se um acordo às escuras viesse sendo costurado nos mesmos moldes da negociação de Diniz com o Carrefour. Além disso, o empresário brasileiro disse ao jornal francês Le Figaro que alertou o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, ainda em dezembro de 2010, que procuraria outras grandes redes mundiais, incluindo o concorrente Carrefour para discutir fusões e aquisições.

Mantega
Com a pesada crítica da opinião pública, o governo já mandou o BNDES sair do negócio. Nos corredores do Palácio do Planalto, há rumores de que a presidente Dilma Rousseff teria escalado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para colocar um ponto final nessa história, retirando o apoio do banco de fomento e deixando tudo nas mãos do setor privado — provavelmente, com a entrada massiva do Banco BTG Pactual, de André Esteves, que elaborou o plano de fusão. Mas mesmo se Pão de Açúcar e Carrefour conseguissem se entender, apoiando-se apenas no capital das instituições financeiras privadas, eles ainda criariam uma concentração extrema, vista como uma ameaça à concorrência.

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