Bolsas de valores em queda no mundo inteiro e o dólar com desvalorização mais acentuada dão a tônica da apreensão que tomou conta dos mercados por causa do impasse da dívida norte-americana, que é US$ 14,3 trilhões. Mas, de modo geral, quem acompanha as finanças mundiais acredita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o Congresso chegarão a um acordo, até o próximo dia 2, para o aumento da dívida.
O professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, disse que confia no bom-senso dos democratas e republicanos, partidos políticos que dominam a Câmara dos Representantes (equivalente ao nosso Parlamento) em Washington. ;Acredito que eles vão encontrar uma saída, porque um calote dos Estados Unidos na dívida seria uma crise de proporções globais mais drástica do que foi a crise de 2008;.
No entendimento do professor, os republicanos ; mais conservadores e de oposição a Obama ; ;querem botar o presidente contra a parede para que ele faça concessões;, como o corte de US$ 1,5 trilhão no Orçamento do ano fiscal dos EUA, que termina em setembro. Os oposicionistas ressaltam a necessidade de redução do déficit público, provocado em grande parte pelo ex-presidente George W. Bush ; último representante dos republicanos na Casa Branca.
Piscitelli aposta em um acordo. Principalmente porque um rompimento entre o Executivo e o Parlamento ;abalaria um dos pilares da democracia norte-americana;, sem falar no impacto negativo que um calote da dívida dos EUA provocaria no mundo inteiro. A começar por países que concentraram suas reservas em títulos do Tesouro norte-americano, como é o caso do Brasil e da China.
De acordo com números do Banco Central, as reservas brasileiras fecharam o mês de junho com estoque de US$ 335,775 bilhões, dos quais US$ 293,533 bilhões (equivalentes a 87,42% das divisas internacionais) atrelados aos títulos soberanos dos EUA. No caso da China, o prejuízo seria ainda maior, uma vez que o país asiático é o maior credor dos Estados Unidos, com títulos no valor de US$ 1,16 trilhão, de acordo com o próprio Tesouro americano.
Especialista em mercado financeiro, o representante do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) Victor José Hohl ressalta que ;ninguém acredita; na possibilidade de o acordo não sair. Segundo ele, a inadimplência dos EUA seria o caos, pois ninguém pode esquecer que todo o sistema monetário mundial é atrelado ao dólar.
O mundo inteiro acredita, de acordo com o economista do Corecon-DF, que ;na última hora eles [democratas e republicanos] vão aprovar; o aumento do teto da dívida. Lembra, porém, que ;este impasse todo começa a mostrar ao mundo que a economia dos Estados Unidos está meio falida;. Só que enquanto não chegam a uma solução, os agentes financeiros continuam apreensivos, com os mercados de ações e o dólar em queda.
Os Estados Unidos atingiram o limite máximo de endividamento público no dia 16 de maio. Ocasião em que o Tesouro adotou medidas, com eficácia até 2 de agosto, para evitar o aumento da dívida. Depois deste prazo, caso o teto não seja elevado, o governo norte-americano não terá mais dinheiro para cumprir algumas de suas obrigações financeiras.