Economia

Brics pede ação rápida e ousada dos países europeus

postado em 23/09/2011 12:35
O grupo conhecido como Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) quer uma ação rápida e ousada dos países europeus para enfrentamento da crise econômica. %u201COs países europeus têm que ser rápidos na decisão, têm que ser ousados e têm que ser cooperativos entre si%u201D, disse o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, que se encontra em Washington para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O ministro disse ainda que há risco de agravamento dos problemas e de envolvimento do Brics na crise. Falando em nome do Brics, Mantega lembrou que a situação internacional inspira cuidados e que a situação tem se complicado nos últimos meses. Segundo o ministro, é importante impedir que a crise dê um %u201Csalto qualitativo%u201D e atinja um nível mais grave. Até agora, avaliou, a crise estava localizada nos países avançados, e o Brics e outros países emergentes têm conseguido manter um certo ritmo de crescimento, sem ser atingidos em suas %u201Cfunções vitais%u201D. %u201CPorém, existe um risco agora de que a crise da dívida soberana de alguns países, que não está sendo solucionada, possa se transformar em uma nova crise financeira%u201D, afirmou. Os representantes do Bric avaliam que o %u201Cepicentro%u201D da nova crise é a União Europeia, ao contrário do que foi em 2008, quando os problemas surgiram nos Estados Unidos. O grupo avalia que na situação atual há uma demora para encontrar soluções ao contrário do que ocorreu há três anos. %u201CO risco dessa crise se agravar é que ela vai envolver o Brics e os países emergentes menos avançados%u201D, disse Mantega. Um dos problemas para o Brics com o agravamento da crise tem a ver com o comércio mundial, que pode ser reduzido com consequência para os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil. De acordo com Mantega, o preço mundial das commodities tem caído e pode enfraquecer o crescimento do Brics e dos demais emergentes provocando uma crise de %u201Cgrandes proporções%u201D. O ministro disse ainda que se o problema da Grécia não for resolvido o mais rápido possível, outras economias serão contaminadas pela crise. Na avaliação dele, a cada dia que passa, os problemas são ampliados e fica caro resolver a crise. No fim da tarde de hoje (23/9), em Washington, ministros de finanças e de desenvolvimento do G20 %u2013 grupo que representa as vinte maiores economias do planeta %u2013 e do Brics se reunirão no prédio do Banco Mundial. No encontro, informou Mantega, o Brics recomendará o fortalecimento do G20 e do papel do FMI, que deve ter mais condições financeiras para enfrentar os problemas que podem afetar não só %u201Cos países mais avançados, mas também %u201Cos emergentes mais fracos%u201D que precisarão de suporte financeiro caso a crise se aprofunde. Para o Brics, é preciso maior integração entre eles. Segundo o ministro, o Brics tem uma dinâmica diferente dos países avançados, tem crescimento econômico maior, no momento, mercados internos em expansão e situação fiscal melhor. %u201CNós temos uma condição maior de solidariedade entre os nossos países. Ou seja, nós decidimos aumentar a solidariedade entre o Brics, com o aumento da atividade comercial financeira e buscar sinergias entre o Brics. Afinal de contas, o grupo, com outros emergentes, hoje lidera o crescimento da economia%u201D. A entrevista do ministro Guido Mantega foi disponibilizada no site do FMI logo após o encontro realizado ontem (22/9) à noite nos Estados Unidos. O Brics também distribuiu nota afirmando que o grupo está aberto a considerar esforços adicionais para trabalhar com outros países e instituições financeiras internacionais a fim de enfrentar os desafios atuais para a estabilidade financeira global. O comunicado, publicado no site do governo da Índia, não cita se as medidas incluem a compra de títulos públicos por parte do grupo para ajudar os países europeus.

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