Agência France-Presse
postado em 11/12/2011 15:24
Londres - A decisão do primeiro-ministro britânico conservador, David Cameron, de se opor a uma mudança no Tratado de Bruxelas, teve uma ampla repercussão popular, mas reavivou as divisões no governo de coalizão, com os liberal-democratas exprimindo abertamente seu desacordo.O vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, para quem a coalizão estava "unida" em torno de David Cameron, mudou de tom neste domingo (11/12), declarando temer um país "marginalizado".
"Estou amargamente decepcionado com o resultado da reunião de cúpula desta semana porque acho que há, agora, um risco de ver o Reino Unido isolado e marginalizado na União Europeia", considerou Nick Clegg, um liberal pró-europeu, em entrevista à BBC.
"Não acho que isso seja bom para a criação de empregos, para a City ou outro lugar, não acho que seja bom para o crescimento, ou para as famílias do país", acrescentou Clegg.
Num momento em que a posição britânica galvanizou a faixa ;eurocética; do Partido Conservador, o vice-primeiro-ministro disse que lutaria firmemente contra uma saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o que faria do país "um pigmeu" no mundo.
Criticou a "intransigência" de alguns conservadores e afirmou que Londres deveria, ao contrário, "voltar a se comprometer com mais força" na UE. Mas, também, denunciou a "intransigência da França e da Alemanha" que, segundo ele, deixaram David Cameron numa "posição difícil".
"Preveni, nas últimas semanas, que o risco era a divisão e que era claro que o governo francês, por exemplo, não derramaria nenhuma lágrima se a Grã-Bretanha fosse afastada", prosseguiu.
Apesar das críticas, Nick Clegg considerou essencial a manutenção do governo de coalizão no qual convivem, há 19 meses, conservadores, alguns eurocéticos, e liberais pró-europeus. Um "casamento de conveniência" que já teve inúmeras dissensões.
"Seria ainda pior para nosso país se a coalizão precisasse se deslocar, isso criaria um desastre econômico", disse.
Do lado conservador, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, também considerou que a manutenção do governo de coalizão era de "interesse vital para o país".
"Mas não estamos marginalizados, posso garantir", afirmou.
David Cameron, enquanto isto, prepara-se para falar nesta segunda-feira no Parlamento - um discurso particularmente esperado.
Segundo pesquisa divulgada neste domingo no Mail on Sunday, a grande maioria dos britânicos (62%) acha que teve razão ao se opor à mudança do Tratado da UE na cúpula de Bruxelas, enquanto que apenas 19% acham que não estava certo.
Uma proporção ainda maior, 66% das pessoas ouvidas, quer um referendo sobre as relações entre a Grã-Bretanha e a União Europeia, como pedem líderes conservadores. Esse mesmo percentual considera que Londres deva renegociar suas relações com Bruxelas.