Economia

Zona Euro caminha para a recessão no 3º trimestre

Agência France-Presse
postado em 25/08/2012 12:52

Bruxelas - Os sinais de uma queda da recessão da Zona Euro no terceiro trimestre do ano se acumularam nos últimos dias, com vários indicadores demonstrando fragilidade econômica e com a economia alemã dando sinais de enfraquecimento.

Em meados de agosto, o Escritório Europeu de Estatística (Eurostat) publicou uma primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro, que mostrou um retrocesso de 0,2% no segundo trimestre, após uma estagnação no primeiro.

Tecnicamente, um período de recessão corresponde a dois trimestres consecutivos de retrocesso do PIB.

O índice PMI, que mede a atividade do setor privado, publicado na quinta-feira, reforçou esta estimativa ao anunciar uma contração da atividade na Zona Euro pelo sétimo mês consecutivo.

[SAIBAMAIS]"Se tomarmos os índices de julho e agosto, eles parecem corresponder a uma queda trimestral do PIB da ordem de 0,5 ou 0,6%", no terceiro trimestre e "será preciso um rebote substancial em setembro para contradizer estas previsões", segundo Rob Dobson, analista da sociedade Markit, que publica este índice.

Caso haja de fato uma recessão, seria a segunda em três anos para a Zona Euro, que recuperou seu crescimento no terceiro trimestre de 2009. Com o PIB negativo no quarto trimestre de 2011 (-0,3%) e nulo no primeiro trimestre deste ano, a Zona Euro evitou a recessão por muito pouco.



Além disso, a Alemanha, com um crescimento de 0,3% de seu PIB no segundo trimestre, começou a mostrar sinais de fragilidade, apesar de ter resistido até agora.

Segundo a Markit, apesar de a atividade econômica ter sido reduzida nas duas principais economias da região, este retrocesso diminuiu na França e se acelerou na Alemanha.

Tensão nos mercados e austeridade

A contração da atividade observada na Alemanha pelo sétimo mês consecutivo "faz pensar que a modesta evolução da economia observada no segundo trimestre não se repetirá no terceiro", diz Jonathan Loynes, da Capital Economics.

O índice PMI de serviços "caiu muito abaixo do patamar de 50, para 48,3, pela primeira vez desde o verão de 2009, sinal de que o consumo das famílias alemãs pode debilitar-se após um positivo segundo trimestre", explica, por sua vez, Julien Manceaux, da ING. O índice PMI mostra uma evolução da atividade quando supera 50 e uma contração abaixo deste patamar.

Para este analista, em termos gerais, "a combinação entre tensões nos mercados financeiros e austeridade orçamentária constitui um importante freio para a demanda interna na Zona Euro e a demanda externa é muito frágil para ter um efeito compensatório".

Segundo Manceaux, uma mudança no sentimento econômico não poderá acontecer até que o futuro da Zona Euro comece a parecer menos incerto", o que "desgraçadamente, não deverá acontecer imediatamente.

Outros analistas se mostraram menos alarmistas, como Marie Diron, da Ernst and Young. Segundo Diron, a Zona Euro continua em visível contração, mas sua economia não está se desmontando.

"É necessário que a recessão permaneça contida para dar aos responsáveis políticos o espaço suficiente para por em marcha reformas", disse o analista, que ressalta a importância de medidas em matéria de integração orçamentária e união bancária.

Para Christian Schulz, da Berenberg, a Zona Euro, "ao fazer frente a seus desequilíbrios internos, graças às reformas estruturais e à austeridade, está se fazendo mais competitiva a nível mundial".

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