Washington - O Federal Reserve (Banco Central americano, Fed) deve manter seu programa de estímulo e uma política monetária condescendente em sua reunião desta semana, apesar da melhora dos indicadores do setor imobiliário e da queda do desemprego, afirmam analistas.
Seis semanas depois do anúncio de um novo programa de compra de bônus para estimular a economia, conhecido como QE3, os especialistas veem poucos motivos para que o Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) mude de rumo em sua reunião de dois dias que começou nesta terça-feira (23/10).
Os indícios de uma recuperação continuam sendo frágeis para justificar uma política monetária mais restritiva, com riscos em várias frentes: as eleições de 6 de novembro, o "abismo fiscal", a crise da zona do euro e a desaceleração na China.
"A recente recuperação da atividade econômica não é suficientemente forte para obrigar o Fed a mudar de tendência agora. É muito cedo para que o Fed reaja e ele provavelmente confirmará seu compromisso de manter o QE3", disse Chris Low, do FTN Financial.
"Depois de tudo, a economia está criando apenas 150 mil empregos mensais, que não são suficientes para cobrir as mudanças demográficas e alcançar as metas de Bernanke (Ben, presidente do Fed)", afirmou Low.
Em sua última reunião, o Fed anunciou o lançamento do programa QE3, uma operação de alívio quantitativo, que consiste em uma nova série de compras de títulos vinculados a dívida hipotecária, a razão de 40 bilhões de dólares mensais.
Esta operação tem como objetivo impulsionar as contratações e fazer com que as empresas realizem maiores investimentos.
No ano passado, as preocupações de Bernanke sobre o ritmo da criação de emprego aumentaram e, no momento da reunião de 12 e 13 de setembro do FOMC, a maioria dos membros do comitê adotou a mesma posição.
Além disso, os membros do FOMC também compartilham a percepção de que a inflação não representa uma ameaça que requer maiores precauções com relação aos estímulos adotados.
[SAIBAMAIS] Provavelmente não houve uma mudança nesse sentido desde então, apesar da surpreendente queda do desemprego em nível nacional de 0,3 ponto percentual no mês de setembro, a 7,8%, o mínimo desde janeiro de 2009.
Enquanto a maioria dos fundamentos é positiva, outros dados, como o índice de desemprego e o número de pessoas que deixaram a população economicamente ativa, mostram que o motor de criação de empregos da economia americana continua fraco.
Outros indicadores da atividade econômica foram mistos: os gastos com consumo e a confiança dos consumidores estão em níveis mais altos, mas a produção industrial e as exportações caíram.
Além disso, no relatório da conjuntura conhecido como Livro Bege, que foi publicado no dia 10 de outubro, o Fed reconheceu que a economia cresceu a um ritmo moderado.
Nesse sentido, na reunião de setembro, Bernanke afirmou que as taxas de juros permanecerão em um nível mínimo até que exista uma melhoria significativa da situação do emprego no país.