O engenheiro agrônomo, professor e ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues é um dos maiores defensores da vocação brasileira para ser o maior produtor mundial de alimentos. Desde a década passada, ele cultiva a expectativa de que esse pódio seria atingido em 2020, desbancando os Estados Unidos. Mas a demora do país em solucionar velhos gargalos no campo, como os de transporte e armazenamento, o deixaram menos otimista. ;Falta uma estratégia de país para o agronegócio. O setor privado faz a sua parte, mas ainda depende de conjunturas favoráveis, como os ainda elevados preços internacionais de soja e milho;, desabafa nesta entrevista ao Correio.
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Na avaliação de Rodrigues, os avanços tecnológicos aplicados no campo continuam garantindo saltos de produtividade, mas esses mesmos ganhos são ameaçados com a perspectiva de alta nos custos de frete e com o permanente risco de quebras de safra e quedas repentinas de cotações. Nesse sentido, cobra do governo tirar do papel o seguro rural, criado há dez anos, e propõe uma opção mais segura pelas Parcerias Público-Privadas (PPPs) para construir novos corredores logísticos. ;Essas poderiam ser um saída, mas ainda há muita incerteza;, lamenta.
O senhor mantém a aposta de que o Brasil será líder na produção de alimentos até 2020?
Estou um pouco menos seguro graças à persistência no horizonte de velhos problemas, como a infraestrutura. A continuidade do sucesso da agropecuária brasileira depende cada vez mais de terceiros do que dela própria. Tenho grande preocupação com os gargalos logísticos, pois haverá dificuldade explícita para escoar a safra recorde de grãos deste ano. O valor médio do frete rodoviário de cargas deve subir 50% em 2013, em razão de reajustes de combustíveis e das novas regras para os caminhoneiros, com paradas obrigatórias após guiar por oito horas. A movimentação portuária é outro transtorno, ilustrado com navios parados há um mês em Paranaguá (PR) para descarregar fertilizantes. As Parcerias Público-Privadas (PPPs) propostas pelo governo para construir rodovias, ferrovias e portos podem ser uma saída, mas ainda há incerteza em torno desses empreendimentos e seus calendários.