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Correio Braziliense

Banco Mundial alerta sobre os prejuízos para a economia palestina

Restrições e bloqueios israelenses e a piora da situação fiscal da Autoridade Palestina está causando "prejuízos duradouros" à competitividade da economia palestina, alertou o Banco Mundial


postado em 12/03/2013 19:39

Jerusalém - Restrições e bloqueios israelenses e a piora da situação fiscal da Autoridade Palestina está causando "prejuízos duradouros" à competitividade da economia palestina, alertou o Banco Mundial nesta terça-feira.

Em um relatório divulgado antes de um encontro global de doadores em Bruxelas no dia 19 de março, o Banco Mundial abordou os prejuízos de longo prazo à economia resultantes do agravamento da crise financeira mundial que o governo com sede em Ramallah enfrenta e a ausência de negociações de paz, que estão paralisadas desde setembro de 2010.

O banco também alertou que o estresse fiscal "poderia piorar em 2013". "Ao mesmo tempo em que é essencial dar atenção urgente às reduções dos financiamentos de curto prazo, é importante reconhecer que a existência contínua de um sistema de bloqueios e restrições está criando danos duradouros à competitividade da economia nos Territórios Palestinos," concluiu o relatório.

"Quanto mais a situação restritiva atual persistir, mais caro e demorado será para restaurar a capacidade produtiva da economia palestina". A Autoridade Palestina (AP) recebeu bem o relatório, dizendo que o único caminho para evitar a ameaça à economia é garantir "o fim da ocupação de Israel".

"A contínua ocupação militar, seu sistema de restrições e controles, o regime de assentamentos e controle total sobre a área C é um ataque aos direitos nacionais palestinos para a constituição de um possível Estado e de sua economia", disse a porta-voz Nur Odeh em um comunicado.

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Ela disse que a crise atual provocada pela retenção por Israel dos impostos coletados em nome da Autoridade Palestina já teve "efeitos de longo e curto prazos" e que a crise significa que as conquistas da construção do Estado estão ameaçadas. "Na essência, a única solução real e duradoura é o fim da ocupação israelense".

Após um grande crescimento do PIB nos últimos anos, a atividade econômica caiu consideravelmente em 2012, segundo o Banco Mundial.

"Esta redução reflete, em parte, a ausência de maior abrandamento das restrições israelenses, a retirada do estímulo fiscal devido a uma queda persistente da ajuda dos doadores e a incerteza criada pelos desafios fiscais da Autoridade Palestina", disse.

O estudo mostrou que a economia corre o risco de perder sua capacidade de competir no mercado global, com sua habilidade para exportar produtos e serviços se "deteriorando substancialmente" desde o final da década de 90.

Um aspecto importante foi o declínio tanto da agricultura e dos setores industriais com a participação na economia palestina caindo cerca de 10% em 1996 para cerca de 7% em 2011, um dos números mais baixos no mundo.

Desde meados da década de 90, grande parte do setor industrial estagnou e, no mesmo período, a produtividade do setor agrícola caiu quase pela metade, com a economia se baseando nas importações de alimentos para atender suas necessidades.

O alto nível de desemprego também está tendo um impacto negativo na competitividade de longo prazo na economia, disseram os autores do relatório.

"Com a baixa participação da força de trabalho e as altas taxas e duração do desemprego, muitos palestinos em idade ativa não têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades", escreveram os autores.

A qualidade da infraestrutura em setores chave como água e transporte está se deteriorando e causando prejuízos a viabilidade futura da economia, com o impacto mais severo em Gaza onde "significativos recursos são necessários" para trazer isso para um nível desejado.

O relatório sugeriu que é necessário US$870 milhões para o setor de água e água residual, US$ 430 milhões para serviços municipais, US$200 milhões para o setor elétrico e US$1 bilhão no setor rodoviário.

"O suporte financeiro contínuo pela comunidade doadora e esforços de reforma pela Autoridade Palestina é, portanto, essencial para lidar com a escassez de financiamento de hoje", escreveram os autores, ao destacar a necessidade de crescimento real liderada pelo setor privado.

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