Jornal Correio Braziliense

Economia

Mercado de animais domésticos cresce; pede estatuto e incentivo fiscal

Em 2012, o segmento faturou R$ 14,2 bilhões e representou 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro


Outro impasse enfrentado pelo setor privado diz respeito às legislações de alguns estados e municípios que restringem ou proíbem a presença de criadouros e incentivam a castração. Medidas do tipo visam evitar o aumento da população de animais abandonados e têm o apoio de entidades de defesa dos animais. Para Vanusa Rocha Monteiro Lopes, presidente da Sociedade Humanitária Brasileira (SHB), organização não governamental (ONG) pró-animais sediada em Brasília, a política de coibir a proliferação de criadouros e promover a esterilização é acertada. ;Nem sempre os animais têm o trato e a assistência necessária nesses lugares. Os protetores não concordam muito com a comercialização. A não ser que exista uma fiscalização muito rigorosa;, opina. José Edson de França, no entanto, afirma que o problema é atacado de forma errada. ;Curitiba simplesmente proibiu canis e gatis. A política tem de eliminar os maus-tratos, não matar o negócio;, defende.

Se os criadouros despertam polêmica, há pontos mais pacíficos que fazem parte das reivindicações do setor de animais domésticos. Entre eles, a regulamentação de algumas profissões e a criação de mais cursos de qualificação. A veterinária Renata Ramos, proprietária de uma pet shop, diz que encontra dificuldades para contratar funcionários preparados. ;Em Brasília não há boas escolas para banho e tosa. Para técnico em veterinária, não existe nenhum curso. A gente tem que fazer o treinamento do funcionário. Leva uns 30 dias para deixá-lo mais ou menos treinado e a rotatividade é muito grande;, explica. Para ela, a qualificação é importante mesmo que o trabalho pareça simples. ;Muitos casos em que o animal sai machucado é por falta de experiência do profissional;, destaca.

Os empresários pedem ainda desoneração tributária para a indústria pet, a exemplo da que o governo já concedeu a outros setores da economia. ;Somos um setor grande, representativo. Os alimentos puxam a fila da indústria. A cada R$ 2 gastos com ração, R$ 1 é imposto. A carga tributária chega a 49,9%, incluindo PIS, Cofins [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social], ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] e IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados];, afirma o presidente da Abinpet e da Câmara Setorial, José Edson Galvão de França.