postado em 05/05/2013 08:00
A indústria da liquidação extrajudicial de empresas no Brasil formou um clube de amigos que, agora, a União tenta moralizar. A escolha dos profissionais chamados de liquidantes sempre envolveu critérios frouxos e propostas por vezes sedutoras. Além dos honorários mensais de até R$ 26,7 mil, quem toca processos fora da cidade onde vive recebe diárias para gastos com alimentação, transporte e moradia. Em tese, tudo deveria sair dos cofres da massa liquidanda. Mas, dificilmente, as empresas em dissolução têm condições de arcar com esses compromissos, e os pagamentos acabam sendo feitos com dinheiro público, por tempo indeterminado e sem garantia de retorno.Todos os anos, o Executivo é obrigado a custear longos processos de falência ou recuperação de instituições financeiras, seguradoras e operadoras de plano de saúde. Reféns de decisões judiciais empacadas nas engrenagens dos tribunais brasileiros, as intervenções podem se arrastar por décadas, enquanto liquidantes e equipes continuam sendo remunerados. No Banco Central, o caso mais antigo em curso remonta a junho de 1987, o da financeira Lojicred. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), por sua vez, ainda aguarda a conclusão do processo da Companhia Urano de Capitalização, iniciado há 47 anos.
