O recém-eleito diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, reconhece que não terá uma missão fácil, especialmente, porque o órgão atravessa um momento crítico, de recuperação da credibilidade nas negociações multilaterais. ;Eu tenho perfeita consciência de que é um trabalho muito desafiante;, afirmou o diplomata que assumirá o cargo em 1; de setembro. Ele chegou ontem ao país, onde ficará por uma semana. Vai aproveitar para agradecer as pessoas que estiveram empenhadas em sua campanha, como a presidente Dilma Rousseff, por quem será recebido na semana que vem.
Na avaliação de Azevêdo, ao contrário do que pensa a maioria dos analistas, as negociações de um acordo bilateral entre Estados Unidos e União Europeia, podem ajudar a acelerar seu principal objetivo, que é a retomada da Rodada Doha de liberalização do comércio global, iniciada em 2001 e travada há cinco anos. ;Será uma janela de oportunidade;, afirmou. A expectativa é obter ;um resultado parcial; para Doha no encontro ministerial da OMC em Bali, na Indonésia, de 3 a 6 de dezembro.
O diplomata destacou que, ao assumir o comando da organização sediada em Genebra, na Suíça, não será mais um representante do Brasil, mas de todos os 159 membros da entidade. Uma de suas bandeiras é a queda do protecionismo. Em seu primeiro grande compromisso à frente da OMC, na cúpula do G-20 ; grupo das principais economias desenvolvidas e emergentes, em São Petesburgo, na Rússia, em 5 e 6 de setembro ;, ele espera anunciar nova queda das medidas restritivas dos países. Em 2012, elas caíram 20%. A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva concedida ao Correio.
Ouça trechos da entrevista
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Quando foi confirmada a sua indicação, o senhor disse que pretendia combater o protecionismo. Quais serão os maiores desafios à frente da OMC?
O protecionismo é uma tendência sempre de difícil reversão. Uma vez que qualquer país cede a pressões internas, é sempre difícil, depois, retomar o caminho da liberalização. Essa foi uma das grandes preocupações que tivemos quando detectamos que depois de 2008 os países começaram a adotar medidas restritivas ao comércio. Sabíamos que, uma vez que essa tendência subisse, a curva decrescente seria bem mais lenta. Mas houve um sinal alvissareiro, no ano passado ; uma queda de 20% no estoque de medidas desse tipo. Vamos torcer para que, no relatório que vou apresentar ao G-20, em setembro, já tenhamos números mais favoráveis.