Os países em desenvolvimento serão as primeiras vítimas, apesar de seus habitantes não serem os responsáveis pelo aumento da temperatura mundial, destacou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, na introdução do relatório. De acordo com as previsões, a produção agrícola total da África subsaariana diminuirá a longo prazo em 10% e a região perderá 40% das terras dedicadas ao cultivo de milho em 2030.
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"Precisamos de uma nova dinâmica", insiste a instituição, no momento em que a mobilização política sobre o clima parece estar estagnada. Lançada em 1995, as negociações entre mais de 190 países não registraram progressos significantes e não serão reativadas antes da conferência prevista para acontecer em Paris em 2015.
Se o impasse persistir, a temperatura poderá subir até 4°C até 2080, diz o Banco Mundial. O aquecimento global poderia complicar a meta do banco em erradicar a pobreza extrema até 2030. "A mudança climática ameaça o desenvolvimento econômico e, fundamentalmente, a luta contra a pobreza", afirma Kim. O Banco Mundial, que dobrou em um ano seus investimentos para financiar projetos de adaptação às mudanças climáticas (4,6 bilhões de euros em 2012), admite que deve "mudar radicalmente" e parar de apoiar projetos de desenvolvimento que emitem CO2.
"O Banco Mundial deve indicar o caminho deixando de financiar projetos de energia fóssil e redirecionando seus fundos para as energias renováveis ", considera a ONG Greenpeace. Tarefa complicada para o Banco Mundial, que estabeleceu a meta de levar energia elétrica a 1,2 bilhões de pessoas até 2030. Em 19 de novembro, o banco lançou um primeiro alerta sobre o cataclismo que causaria um aumento de 4°C de temperatura até 2060.
"Um mundo com 4°C a mais desencadearia uma cascata de desastres, incluindo ondas de calor extremo, a queda dos estoques de alimentos e aumento do nível do mar que afetariam milhões de pessoas", indicou o relatório de novembro. "Temos que baixar a temperatura e apenas uma rápida e coordenada ação internacional poderia" alcançar este objetivo, concluiu o Banco Mundial.