Com a inflação em disparada e o crescimento econômico em baixa, o pessimismo tomou conta do Brasil. A população, cansada, tenta dar um basta à velha política com ondas de protestos que ocupam as ruas e ameaçam as regalias. A popularidade do governo derrete a passos largos. Nas últimas duas semanas, promessas foram feitas, uma nova agenda se colocou no debate público e o país sonha com outro rumo. Quer deixar de ser emergente para ocupar um lugar entre os ricos e desenvolvidos. Nesse caminho, ninguém aceita abandonar os ganhos sociais obtidos com a estabilidade da economia, e todos recusam a a armadilha da estagflação, combinação perversa entre custo de vida elevado e expansão minguada das riquezas produzidas pelo país.
A gestão econômica duvidosa dos últimos anos e a falta de reformas constitucionais fizeram surgir fantasmas no horizonte: o sonho do pleno emprego parece perto do fim e, no mercado, já se fala em aumento das demissões e, pior, em recessão. ;O desafio brasileiro de 2013 não é diferente do que se viu em 2003, quando Lula assumiu a Presidência. A inflação é reflexo de uma economia em que a falta de infraestrutura sempre cria gargalos que alimentam os reajustes disseminados de preços;, diz Sandra Utsumi, diretora de renda fixa do Espírito Santo Investment Bank em Portugal.
Na avaliação dela, o pesado custo de vida e os serviços públicos de péssima qualidade jogam mais combustível na insatisfação popular que tomou o país. Os brasileiros, sobretudo os 40 milhões que ascenderam à classe média nos últimos 10 anos, não aceitam retrocessos. Pelo contrário, querem mais. O problema é que a presidente Dilma Rousseff seguiu em uma direção perigosa. Em vez de pavimentar as condições para o Brasil dar um salto efetivo, minou os pilares que devam sustentação à estabilidade econômica: o sistema de metas de inflação, o câmbio flutuante e o ajuste fiscal.