Economia

Mercado de luxo no Brasil fatura mais de R$ 45 bilhões em três anos

Quando os preços pouco importam: grifes investem até na criação de sapatos com ouro

postado em 07/07/2013 11:57
O casal Vanessa e Carlos Marra levou fotógrafa para ensaio em Buenos Aires: serviço não sai por menos de R$ 10 mil

A estilosa foto de Vanessa e Carlos Marra foi tirada no Caminito, no Bairro La Boca, em Buenos Aires, na Argentina. O cenário foi registrado em abril, na semana do casamento de Vanessa e Carlos, que levaram a fotógrafa Cristina Lima para fazer o ensaio deles. ;Escolhemos Buenos Aires porque é um lugar bonito e de que gostamos. Fui pedida em casamento lá;, afirma Vanessa. O custo do transporte, hospedagem e alimentação da fotógrafa foi pago pelos noivos, fora os gastos com o serviço realizado.

Os fotógrafos Alexandre e Cristina Lima começaram há pouco tempo a fazer fotos de clientes fora do país. Eles já acompanharam casais em lua de mel a diversos lugares, como Paris, Aruba, Veneza e Florença. A viagem internacional é paga fora do pacote de serviços de fotografia, que pode custar de R$ 10 mil a R$ 17,5 mil. O serviço de luxo faz parte de um mercado que faturou nos últimos três anos mais de R$ 45 bilhões no Brasil, segundo levantamento da consultoria Bain & Company. O estudo estima que o crescimento desse mercado será de 12% na América Latina em 2013. Grande parte do avanço deve ser impulsionado pelo Brasil, que tem ainda previsão de incremento nos negócios de 25% até 2017.

A designer Luana Jardim criou scarpin cravejado de pedras preciosas: mimo custa dobro de carro popular;O brasileiro tem um perfil consumista, diferente do europeu, que reflete um pouco mais na hora de fazer o investimento;, afirma Cristina Marinho, consultora de marketing da moda. Aqui no Brasil, diz, o consumidor com dinheiro tem a disponibilidade de pagar com prazo maior. ;Ele pode comprar uma bolsa Chanel de R$ 5 mil e pagar em 10 vezes de R$ 500. O brasileiro gosta de comprar e exibir a aquisição. As pessoas só vão saber que o produto é caro se estiver com a marca aparente;, observa Cristina. O filão do luxo no Brasil acontece não só com as marcas estrangeiras. Grifes nacionais e mineiras começam a apostar no consumidor de alta renda em segmentos diversos como moda balneário, pâtisserie, aluguel de roupa de luxo e até mesmo sapato-joia, que chega a custar R$ 50 mil.

A designer mineira Luana Jardim criou há seis meses um sapato-conceito suntuoso, produzido sob encomenda. O scarpin foi desenvolvido em couro de cabra, cravejado de luminosas pedras preciosas e com ornamentos em ouro. Cada par demora cerca de três meses para ser desenvolvido e é produzido de forma manual, como se fosse peça de joia. ;Entre os acessórios femininos, o sapato é a maior coqueluche. Está aliado à sensualidade, poder e muda até a postura da mulher;, afirma Luana. Tanto luxo tem um preço: cada par pode chegar a custar R$ 50 mil, o dobro do valor de um carro popular no país. ;O produto é exclusivo, os modelos não são repetidos;, explica a designer. Na sua avaliação, o mercado de luxo está em franca expansão. ;Mas, para a marca se estabelecer, sofre concorrência de marcas de outros países;, observa.

Manoel Bernardes, responsável pela área de desenvolvimento de produtos da joalheria Manoel Bernardes, destaca também a concorrência maior. ;Grandes marcas instalaram no Brasil e disputam o mesmo cliente. O consumidor que vai comprar uma Ferrari ou um iate é o mesmo que vai adquirir um relógio de R$ 300 mil. Com oferta maior, o crescimento da marca é menor;, observa.

Aluguel de bolsa Chanel custa R$ 1 mil


O mercado de luxo deve vender não só marcas, mas também serviços. O alerta é de Cristina Marinho, consultora de marketing da moda. ;É fundamental que seja explicado para o consumidor por que aquela marca é tão cara. É preciso entregar conteúdo, além do produto. E o atendimento ao consumidor deve ser diferenciado. Ele necessita de tratamento especial, quer reconhecimento de que venceu na vida;, observa Cristina.

Olívia Borges da Costa, da mineira Solli, foca na moda balneário premium: peças exclusivas de praia

O luxo não está atualmente aliado a grandes grifes, opina Olívia Borges da Costa, proprietária e estilista da marca mineira Solli, focada em balneário premium e peças de moda casual mais sofisticada. ;O conforto hoje é o luxo. Ele não tem ligação direta com o poder aquisitivo. O acabamento e os tecidos são importantes;, opina. A sua marca produz peças exclusivas de praia, usadas para resorts e navios.

Mas quer usar uma bolsa Chanel, Prada, Miu Miu, vestido Versace ou Louis Vuitton e gastar menos? A Madre Luxury for Rent acaba de desembarcar em Belo Horizonte com a proposta de alugar vestidos e bolsas de festa de luxo. ;É um mercado em falta em Belo Horizonte;, afirma Marina Perktold Dumond, proprietária da loja. Ela explica que os vestidos novos de festa de grandes marcas custam entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. ;E muitas vezes ficam encostados no armário. A ideia é não deixar as roupas paradas. E as pessoas de alto luxo não gostam de repetir os modelos;, diz. O aluguel de um Versace, por exemplo, sai em média a R$ 600. Já um fim de semana com uma bolsa Chanel vale R$ 1 mil.

Até doces


Flor de sal, água de flor de laranjeira e pérolas de licor fazem a diferença dos doces refinados da Leclante Patiserrie, inaugurada em março de 2012 em Belo Horizonte. A ideia da pâtisserie é trabalhar com doces mais refinados em eventos como casamento e bodas de ouro. E parece que o projeto deu certo. Até o final do ano, a agenda da empresa está cheia. ;Há demanda crescente no mercado de luxo. E o consumo em Minas tem espaço para isso;, diz Maria Thereza Alkmin, chefe da Leclante.

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