Jornal Correio Braziliense

Economia

Grandes potências do G20 se reúnem na sexta-feira, em Moscou

G20 quer avançar sobre evasão fiscal e superar suas divisões frente a uma economia mundial frágil por causa da desaceleração do crescimento dos países emergentes

MOSCOU - As grandes potências do G20 se reúnem na sexta-feira (19/7) e no sábado em Moscou para mostrar sua determinação na luta contra a evasão fiscal e superar suas divisões frente a uma economia mundial ainda frágil por causa da desaceleração do crescimento dos países emergentes.

No sábado (20/7), os ministros das Finanças e os presidentes dos Bancos Centrais das 20 principais economias desenvolvidas e emergentes publicarão um comunicado conjunto.

A menos de 50 dias da reunião que reunirá, no começo de setembro, em São Petersburgo, os chefes de Estado do G20, a reunião aponta, sobretudo, os progressos obtidos nos temas considerados prioritários para este ano, como a evasão fiscal e a regulação financeira.

A prioridade é "buscar maior transparência, uma maior luta contra as jurisdições que não cooperam", disse uma fonte governamental.

Em sua última reunião de abril em Washington, o G20 pediu à comunidade internacional modificações sobre o sigilo bancário para lutar contra a evasão fiscal. O tema foi confiado à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que deve apresentar um novo relatório na sexta-feira (19/7).



O objetivo é modificar os mecanismos de otimização fiscal que permitem às multinacionais não pagar impostos. Empresas norte-americanas como Google, Amazon e a rede de cafés Starbucks foram criticadas nos últimos meses por esse motivo.

"Há consenso dentro do G20" sobre este tema, disse Pascal Saint-Amans, diretor do centro de política e administração fiscal da OCDE.

O tema dos paraísos fiscais retornou com força este ano com as revelações do "Offshore Leaks" sobre o patrimônio das personalidades nos paraísos fiscais.

"Os mecanismos de evasão fiscal e os paraísos fiscais são o objetivo principal dos governos e os ministros querem garantir que a questão faça parte das prioridades" para a cúpula de setembro, explicou à AFP o economista Chris Weafer, da consultoria Macro Advisory.

As grandes potências poderão entrar em acordo sobre os paraísos fiscais em um momento em que estão divididos sobre a morosidade da economia.

"Poderíamos ver uma divisão" entre os países ricos e as economias emergentes sobre este tema, alertou Chris Weafer.

A zona do euro está mergulhada em uma recessão, o crescimento nos Estados Unidos tem dificuldades para se recuperar e a preocupação é cada vez maior quanto à situação dos países emergentes.

A China acaba de anunciar um crescimento de 7,6% para o primeiro semestre, o que confirma a desaceleração da segunda economia mundial e gera preocupação nos países produtores de matérias-primas, cujo principal cliente é o gigante asiático.

O freio no crescimento não só afeta a segunda economia mundial: no começo de julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as previsões de crescimento da China, mas também as do Brasil, África do Sul e Rússia.

"Queremos escutar nossos colegas chineses para que nos expliquem como vão sustentar a demanda, mas também nossos sócios europeus e do Japão", declarou nesta segunda-feira (15/7) (, Lael Brainard, subsecretário do Tesouro norte-americano, que pediu aos europeus "um plano que incentive a demanda e o crescimento".

Contudo, uma fonte governamental alemã afirmou que a Alemanha planeja continuar insistindo com Moscou sobre a importância de reduzir sua dívida.

"O risco de crise política na zona do euro aumenta a cada dia", disse Charles Robertson, economista da Renaissance Capital, preocupado com uma "taxa de desemprego extremamente alta, que nenhum país jamais conseguiu sustentar com uma taxa de câmbio fixa".

Um encontro de ministros de Trabalho do G20 acontece nesta quinta (18/7) e sexta-feira (19/7) em Moscou. Os ministros analisarão as formas de cooperar melhor na luta contra o desemprego.

Em relação aos Estados Unidos, a atenção deve se concentrar sobre sua política monetária. O Federal Reserve alertou que busca pôr fim a sua política anti-crise de injeção de liquidez no sistema financeiro.

O ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o tema será tratado e insistiu na necessidade de ter políticas monetárias "compreensíveis e previsíveis".