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Estado de Minas

Batalha por orçamento nos EUA se aproxima de nova data chave: 17 de outubro

Os republicanos condicionaram seu apoio a um orçamento temporário ao corte de alguns programas chaves do governo de Barack Obama


postado em 02/10/2013 17:34

Washington - A batalha política em relação ao orçamento, que paralisou serviços públicos nos Estados Unidos, enfrenta agora uma segunda data chave: o dia 17 de outubro, quando o Tesouro ficará sem fundos e o país pode entrar, pela primeira vez, em default.

Até o momento, os republicanos condicionaram seu apoio a um orçamento temporário ao corte de alguns programas chaves do governo de Barack Obama, por exemplo, a reforma da saúde. Contudo, a presidência deixou claro que não cederá neste ponto.

Frustrados por não ter obtido nenhuma concessão por parte dos democratas, os republicanos vinculam cada vez mais o debate sobre o orçamento - e o atual fechamento de alguns serviços públicos - ao aumento do teto da dívida, em um país altamente dependente de seu endividamento para funcionar.

"Mantendo-se o fechamento dos serviços do Estado, acredito que a questão do teto da dívida se somará ao debate", disse o senador republicano Tom Coburn.

Para o representante republicano Paul Ryan, ligar ambos os temas permitirá criar "um mecanismo para forçar" um acordo entre ambos os partidos. "A maior parte dos acordos orçamentários no passado continham o aumento do teto da dívida", acrescentou Ryan, cujo partido controla a Câmara Baixa, chave em questões de orçamento.

Esses comentários levam a pensar que o fechamento dos serviços públicos se prolongará até 17 de outubro, data limite depois da qual, segundo o Tesouro, os Estados Unidos não poderão fazer frente a suas obrigações financeiras, a menos que seja aprovado um aumento do teto da dívida.

Devido ao bloqueio orçamentário, o governo fechou desde terça-feira os serviços públicos não essenciais e deu férias coletivas, sem remuneração, a milhares de funcionários. O país enfrenta agora uma ameaça maior: entrar em default pela primeira vez em sua história.

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17 de outubro, data limite

O aumento do teto legal de endividamento, situado atualmente em 16,7 trilhões de dólares, é prerrogativa exclusiva do Congresso.

Até o momento, a maioria republicana da Câmara se negou, em meio a sua intensa batalha com a administração de Obama, a aprovar uma medida deste tipo.

No verão (do hemisfério norte) de 2011, um bloqueio similar levou Washington à beira do default e fez com que a agência de classificação Standard and Poor's retirasse dos Estados Unidos seu triplo A, a nota máxima de sua escala para as dívidas soberanas.

Na terça-feira, o secretário do Tesouro, Jacob Lew, lembrou aos legisladores que no dia 17 de outubro se esgotarão todas as medidas excepcionais de financiamento do governo.

Depois desse prazo, "restarão 30 bilhões de dólares no tesouro para honrar os compromissos de nosso país", disse Lew em uma carta enviada ao Congresso.

Essa quantia está muito abaixo do que o Tesouro pode gastar em um dia, que seriam 60 bilhões de dólares, acrescentou o secretário da carteira.

O Congresso não terá mais tempo para atuar, alertou Lew, manifestando seu temor de que "pela primeira vez em sua história", os Estados Unidos não possam honrar suas obrigações financeiras.

Nesta quarta-feira, Jean-Claude Trichet, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), manifestou à rede norte-americana CNBC sua preocupação frente às "imensas dificuldades" que o país enfrenta.

"Seria totalmente absurdo que o teto (da dívida) não seja aumentado" porque é a credibilidade dos Estados Unidos que está em jogo, acrescentou o ex-chefe do BCE.

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