
Quem decidiu viajar de avião neste fim de ano teve que apertar o cinto para fazer caber as passagens no orçamento doméstico. Somente nos últimos 30 dias, os bilhetes ficaram 20,15% mais caros, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O reajuste foi tão forte que o item respondeu, sozinho, por 0,11 ponto percentual da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de dezembro, a maior contribuição individual para a carestia.
Mesmo pagando caro, os viajantes que optaram por embarcar na quinta-feira tiveram de lidar com o descaso e o péssimo atendimento das empresas aéreas. Sem infraestrutura adequada para enfrentar o aumento do fluxo de passageiros, as companhias obrigaram a clientela a encarar filas gigantescas, atrasos de quase duas horas e voos cancelados sem nenhuma explicação plausível. Até as 19h, 33% das 146 partidas programadas no Aeroporto de Brasília saíram fora do horário.
Desde o início da tarde, o clima era de nervosismo e apreensão nos guichês de check-in da Avianca. As filas ocupavam boa parte do terminal Juscelino Kubitscheck. A maioria dos passageiros não entendia o que estava acontecendo e se irritava com a falta de informação. ;Não estou pedindo nenhum favor. Quero apenas que a empresa preste serviços de qualidade, que não me obrigue a ficar quase duas horas na fila sem saber se eu embarcarei ou não;, discursou o contador José Carlos Passos, 35 anos, com destino a Aracaju (SE). ;Me botaram em uma fila prioritária, mas de nada adiantou. Fiquei uma hora esperando pelo atendimento;, acrescentou a professora Eliane Ignotti, 48, com passagem marcada para Cuiabá.
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