Jornal Correio Braziliense

Economia

Premiê indiano: Brics deve criar perspectivas para organismos já existentes

Para Narendra Modi, o crescimento futuro das parcerias e o desenvolvimento das instituições dentro do Brics deve proporcionar caminhos direcionados para um equilíbrio pacífico para a promoção de um mundo estável

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse, em Fortaleza, que sua primeira participação na 6; Cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi uma experiência ;absolutamente; fantástica, que ganhou muito com as reflexões feitas por estes cinco países sobre seus problemas comuns.

;Fico na expectativa de que tudo isso possa evoluir no sentido de ultrapassar nossas fronteiras nos dias que virão e que o Brics entre em uma nova etapa, já que a atual se encerra hoje.; Para Modi, a cúpula ocorre em um momento crucial, com turbulências econômicas e políticas e aumento dos conflitos e da instabilidade em muitas regiões importantes. Segundo ele, outra dificuldade é lidar com a questão da pobreza e fazer com que o crescimento seja mais inclusivo e possa evoluir para um desenvolvimento social e moral.

;Um estudo das questões de paz e das necessidades globais deverá abrir caminhos de colaboração e cooperação, e é possível que o Brics possa responder a todas as perguntas [sobre essas questões]. Digo isso por causa da peculiaridade do grupo como instituição internacional. Pela primeira vez, reúne-se um grupo com base nos parâmetros de seus potenciais para o futuro;, afirmou.

O premiê indiano destacou que a idéia essencial é que o grupo olhe para a frente e crie perspectivas e mecanismos para organismos já existentes, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Modi entende que o crescimento futuro das parcerias e o desenvolvimento das instituições dentro do Brics deve proporcionar caminhos direcionados para um equilíbrio pacífico para a promoção de um mundo estável. ;Queremos intensificar a nossa cooperação, incorporando os desafios globais, ao combatermos o terrorismo, incluindo o dos ataques cibernéticos;, acrescentou.

[SAIBAMAIS]Assim como os demais líderes reunidos em Fortaleza, Modi pediu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil pleiteia um assento permanente. ;Devemos ajudar a mudar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para um regime aberto, com forte equilíbrio e crescimento sustentável, e inserir questões como a segurança alimentar;, defendeu.



Para ele, até a juventude deve ser envolvida na liderança do grupo, que precisa desenvolver mecanismos para atrair as novas gerações, bem como cursos online para aperfeiçoar a educação formal. Para ele, a criação da Universidade Brics ligaria os diversos campi do ponto de vista virtual, além de ajudar a estabelecer intercâmbio com docentes, por exemplo. ;Estou convencido de que cada um de nós poderá obter mais sucesso se trabalharmos em conjunto", concluiu Modi.

Já o presidente chinês, Xi Jinping, destacou que um grupo como o Brics traz "benefícios intangíveis" para os povos dos cinco países que o compõem, propiciando inclusive maior cooperação entre eles, sem que ;montanhas e mares; impeçam tal integração. ;A cooperação entre no grupo é um processo histórico permanente. Precisamos aproveitar as experiências anteriores e buscar uma parceria mais sólida entre nós;, disse Jinping.

Para ele, é preciso incorporar o espírito da inclusão entre os diferentes segmentos sociais e integrar os diversos modelos de desenvolvimento. ;Isso tem de ser feito trabalhando-se em temos de democracia, de relações internacionais e com a manutenção do espírito da cooperação para servir não apenas a nós mesmos, mas também para tentar acomodar as preocupações de cada país e contribuindo de forma conjunta para o crescimento de todas as economias, como força propulsora para melhorar a governança global.;

O líder chinês acrescentou que os cinco países poderão trocar cada um de seus pontos fortes em conhecimento, habilidades e recursos. "Vários caminhos podem ser explorados na área do desenvolvimento. Podemos utilizar tecnologias limpas e comunicação via satélite para oferecer saúde e educação de qualidade para todos;, concluiu.