Economia

Banco Central não consegue abrir processo contra ex-diretor da autarquia

Justiça se negou a calar crítico do BC

postado em 09/09/2014 06:01
Justiça se negou a calar crítico do BC
O Banco Central está no centro de uma polêmica que envolve a tentativa de censura a um ex-diretor da instituição, cujas declarações, publicadas no Correio Braziliense e no jornal Brasil Econômico, irritaram a atual direção do órgão. Nas entrevistas, Alexandre Schwartsman afirmou que a gestão do BC é ;incompetente, frouxa e temerária;. O economista foi além e classificou como ;trabalho porco; a atual condução da política monetária, que combina juros altos e inflação distante do centro da meta, de 4,5%. Para finalizar, Schwartsman, que ocupou a Diretoria de Assuntos Internacionais do BC por três anos, no início do governo Lula, insinuou que a atual direção seria subserviente aos interesses do Palácio do Planalto.

[SAIBAMAIS]Essa última crítica diz respeito a um episódio conhecido como ;cavalo de pau da política monetária;. Em agosto de 2011, mesmo com a inflação tendo saltado acima de 7%, o Comitê de Política Monetária (Copom), liderado pelo presidente do banco, Alexandre Tombini, iniciou um processo de queda da taxa Selic. A ação resultou na menor taxa de juros da história, 7,25% ao ano, patamar, entretanto, que durou apenas seis meses.

Em entrevista publicada no Brasil Econômico em 27 de janeiro deste ano, Schwartsman disse que a consequência desse processo, que foi a disparada da inflação, era a comprovação da ;subserviência, descuido, incompetência; da instituição no combate ao custo de vida. ;Isso foi cometido pelo BC ou por quem manda nele;, disse o economista. A gota d;água, no entanto, foi a publicação da entrevista ao Correio, em 27 de abril. Nela, Schwartsman declarou que a desconfiança dos investidores na política monetária devia-se, em grande medida, ao ;trabalho porco; executado pelo BC.



;Há um limite para tudo nessa vida, e ele (Schwartsman) ultrapassou o limite do limite ao dizer que o BC fez trabalho porco;, disse ao Correio o procurador-geral do órgão, Isaac Sidney Ferreira. Em 9 de agosto, ele apresentou queixa-crime contra Schwartsman por difamação, cuja pena é de detenção de três meses a um ano. No processo, Ferreira afirmou que os termos utilizados pelo analista caíram na ;vala deplorável do ultraje e da afronta gratuita à honra do BC, de seus dirigentes e do corpo funcional;.

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