Economia

Seca pode triplicar o risco de racionamento e pesará no bolso em 2015

A consultoria PSR estima que, se o volume de chuvas de novembro a abril ficar em 80% da média, o risco de racionamento subirá para 35%

Simone Kafruni
postado em 30/09/2014 06:04
Redes de transmissão: consultorias apostam em aumentos médios de 20% a 25% na conta de luz no próximo ano

O risco de racionamento, hoje em 12%, pode quase triplicar caso as chuvas no chamado período úmido voltem a decepcionar. E esse é só um dos desafios que o setor elétrico enfrentará em 2015. Ao contrário do que afirmou o ministro Guido Mantega, em entrevista ao Correio, o impacto do desarranjo energético nas contas de luz será expressivo. Para especialistas reunidos ontem no 2; Encontro Nacional de Consumidores Livres, em São Paulo, o quadro segue preocupante no ano que vem, com problemas de abastecimento, institucionais, financeiros e de eficiência.

A consultoria PSR estima que, se o volume de chuvas de novembro a abril ficar em 80% da média, o risco de racionamento subirá para 35%. ;Se vier mais úmido, a gente supera o risco de o racionamento ser decretado. Mas isso não quer dizer que os problemas estejam resolvidos porque os reservatórios precisarão de tempo para se recuperar;, lembrou Priscila Lino, sócia da PSR. A consultoria reviu a alta no custo médio da eletricidade este ano de 25% para 28% após a decisão do governo de congelar o repasse de R$ 4 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), usada para socorrer o setor. ;A energia sofrerá acréscimo médio de R$ 50 por megawatt/hora (MWh) em 2015;, afirmou ela.



Para o diretor executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Júnior, as tarifas precisariam ser reajustadas de 20% a 25% no próximo ano para reduzir o rombo do setor, avaliado em R$ 60 bilhões. ;A geração termelétrica de 2013 e 2014 ainda não foi paga. A liquidação do despacho térmico será feita em 2015, assim como parte do pagamento dos empréstimos às distribuidoras;, calculou. Mikio ressaltou que esse montante será pago pelos brasileiros, direta ou indiretamente, com aumento da carga de impostos.

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