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Estado de Minas

Famílias reduzem dízimos com aumento nos gastos com água e luz

Igrejas registram queda nas doações de fiéis, que se dizem endividados e afetados pela inflação alta. Católicos e evangélicos veem dias difíceis pela frente


postado em 05/04/2015 07:58 / atualizado em 04/04/2015 20:14

Na paróquia de São Vicente de Paula, em Taguatinga, o esforço para o aumento da contribuição é grande(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 20/9/13)
Na paróquia de São Vicente de Paula, em Taguatinga, o esforço para o aumento da contribuição é grande (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 20/9/13)

 

A crise econômica chegou às igrejas. Com o orçamento apertado, fiéis têm doado cada vez menos, obrigando padres e pastores a refazerem as contas do mês. Ações sociais, venda de rifas e almoços de domingo que ajudavam a turbinar a arrecadação não atraem mais o mesmo número de interessados. A queda no volume de dízimos e ofertas, acompanhada do aumento de gastos com faturas de água e luz, por exemplo, preocupa administradores de templos católicos e evangélicos.

O endividamento das famílias começou 2015 em alta, após três meses seguidos de recuo: em janeiro, os lares comprometeram 46,35% da renda acumulada em 12 meses com débitos, segundo o Banco Central. No mês passado, indicou pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), quase seis em cada 10 lares brasileiros estavam enrolados em dívidas com cheques, cartões, carnês ou qualquer outro tipo de empréstimo.

A inflação persistente — atualmente em torno de 8% em 12 meses — corroeu o poder de compra dos fiéis, que também se viram obrigados a fazer escolhas na hora de contribuir com a igreja. “No ofertório das missas, ainda percebemos que há muita generosidade, mas quando fazemos alguma atividade extra que pede a contribuição, o pessoal já não ajuda tanto, devido à perda do poder aquisitivo”, comenta o padre José Emerson Barros, da Paróquia Santíssima Trindade, em Ceilândia. Na Paróquia de São Vicente de Paula, em Taguatinga, não é diferente. A recessão, combinada com inflação alta e endividamento elevado, reduziu a capacidade dos fiéis de contribuírem com a igreja.

Nos templos localizados em áreas nobres, o baque da queda na receita tem sido maior. Em comunidades mais pobres, a oferta — embora também tenha diminuído — tende a ser mais fiel. “Mas, de maneira geral, as pessoas andam pensando duas vezes até mesmo na hora de pagar o dízimo. Não é como antes, sem dúvida”, comenta o padre Carlos Sávio Ribeiro, pároco em uma igreja de Natal frequentada pela classe média alta potiguar.

 

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