Economia

Adiamento da análise das contas do governo é decisão histórica, diz Nardes

O atraso de repasses do governo para pagamento de programas sociais levanta suspeita de manobras para maquiar R$ 40 bilhões das contas entre 2009 e 2014

postado em 17/06/2015 14:45
A decisão inédita do Tribunal de Contas da União (TCU) de ter adiado o julgamento das contas do governo federal de 2014 representa uma nova forma de atuação do órgão, que deverá refletir também nos tribunais estaduais. De acordo com o relator da matéria, ministro Augusto Nardes, essa nova fase se deve ao ;upgrade; promovido pelas especializações da equipe técnica do tribunal.

Por unanimidade, o plenário do TCU adiou por 30 dias, a serem contados a partir de notificação, a análise das contas do governo federal a pedido do relator Augusto Nardes. Segundo ele, as contas apresentadas ;não estão em condições de serem apreciadas;. O prazo dado pelo TCU é para que a presidente Dilma Rousseff e sua equipe esclareçam, por escrito ou pessoalmente, indícios apontados pelo tribunal de que teriam descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Orçamentária Anual.

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;Essa decisão é histórica porque os demais tribunais poderão nos seguir e não apreciar as contas. Esta é uma mudança de comportamento que todos querem. Espero que isso repercuta também nos tribunais dos estados. Isso dará sincronização do Estado brasileiro como um todo;, disse Nardes, que creditou a nova prática ao ;upgrade [obtido] com as especializações da equipe do TCU;, que vêm sendo implantadas desde 2013. ;Agora temos gente mais especializada e uma reserva intelectual que pode em muito auxiliar a nação. Temos agora bagagem para fazermos auditorias que não fazíamos antes. Se antes não foi descoberto é porque não tínhamos implantado isso;, disse o ministro. ;Foi por meio dessa equipe que levantamos as pedaladas fiscais;, acrescentou.

O atraso de repasses do governo a bancos públicos para pagamento de programas sociais levanta suspeita de que o governo tenha adotado manobras para maquiar R$ 40 bilhões das contas entre 2009 e 2014, conforme Nardes. ;Só em 2014, foram cerca de R$ 7 bilhões;, disse o ministro. Segundo ele, até o momento, o TCU encontrou 31 itens com indícios de irregularidades. Deste total, 13 serão submetidos ao esclarecimento da presidente. Além das manobras, Dilma terá de explicar a falta de contingenciamento de R$ 28,4 bilhões em despesas discricionárias da União, referentes a 2014. "Além de não ter feito esse contingenciamento, o governo liberou outros R$ 10 bilhões que não tinham previsão orçamentária".

Nardes lembrou que muitos dos escândalos de corrupção que ocorrem no país poderiam ter sido evitados caso o governo tivesse dado ouvidos aos alertas emitidos pelo TCU em anos anteriores. ;Estamos inaugurando um novo tempo. Essa situação que vivemos no país é decorrente, em muitos casos, dos alertas que fizemos, como por exemplo, foi o caso da Petrobras e das estatais que não estão aplicando corretamente os investimentos;.

O ministro destacou a importância da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para a governança do país e para evitar que ocorra no país caso semelhante ao que ocorreu com bancos estaduais, e com as dívidas que eram repassadas da gestão de um governo a outro governo.

Em ocasiões anteriores, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, disse que esse fato representa, na verdade, ;diferenças na interpretação jurídica; de algumas ações financeiras.

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