Jornal Correio Braziliense

Economia

Congresso adia análise de vetos e faz dólar subir

O terceiro adiamento da sessão para apreciar os vetos da presidente Dilma interrompeu quedas

A expectativa de que o Congresso finalmente apreciaria nesta quarta-feira, (7/10) os vetos da presidente Dilma Rousseff a medidas de elevação de gastos levou o dólar a abrir em queda e operar abaixo de R$ 3,80 na mínima da sessão. Mas o novo adiamento da sessão, o terceiro, acabou interrompendo essa trajetória que já registrava três ganhos seguidos.

No final, o dólar ganhou R$ 0,032 em relação ao fechamento de ontem e terminou cotado a R$ 3,877, em alta de 0,89%. Na mínima, a moeda atingiu R$ 3,7880 e, na máxima, R$ 3,880. No mês, acumula -2,47% e, no ano, %2b45,99%. No mercado futuro, a moeda para novembro subia 0,53%, a R$ 3,9075, às 16h37.



A moeda já havia aberto em alta, mas mudou de rumo ainda pela manhã, quando atingiu a mínima da sessão. Investidores davam continuidade ao movimento de baixa das três sessões anteriores. No começo da tarde, entretanto, os ventos mudaram de trajetória após o Congresso, primeiro, suspender temporariamente a sessão e, depois, adiar mais uma vez a votação, novamente por falta de quórum. Além da oposição, também a base aliada vem boicotando a sessão, insatisfeita, entre outras coisas, com a reforma ministerial da presidente Dilma.

Esse fato, inclusive, começa a levantar a questão de que a reforma já deveria ter dado frutos ao governo e, portanto, pode não ter funcionado de fato. O governo ainda teve outros reveses. Um deles, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de abrir ação de impugnação de mandato da presidente Dilma Rousseff, que pode cassar o diploma eleitoral da petista e também do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). É a primeira vez que a Justiça Eleitoral autoriza uma investigação como essa contra um presidente da República empossado.

Outro revés veio do ministro do STF Luiz Fux. Relator do mandado de segurança proposto pelo governo no Supremo, ele negou, à tarde, o pedido do governo para suspender a sessão do TCU, marcada para hoje, que irá analisar as contas de 2014 do governo Dilma Rousseff e a possível suspeição do ministro Augusto Nardes para relatar o caso na Corte de Contas. Com a negativa, ficou mantido para hoje ainda o julgamento no TCU.

A leitura do mercado é de que, com a decisão do TSE, aumentam as chances de saída da presidente Dilma Rousseff, o que já seria bem visto por alguns agentes, por, teoricamente, destravar o País. Por outro lado, o início de um processo de cassação pode fazer o quadro piorar antes de melhorar.

Os dados do fluxo cambial de setembro não fizeram preço no dólar Segundo o Banco Central, o resultado do mês passado foi negativo em US$ 111 milhões, após ter sido positivo em US$ 4,111 bilhões em agosto.