Jornal Correio Braziliense

Economia

Economia brasileira precisa de uma 'sacudida', diz Joaquim Levy

O ministro ressaltou a necessidade de simplificar as regras de investimento, especialmente em grandes projetos de infraestrutura

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira (27/10) que a economia brasileira precisa de uma "sacudida". Ele lembrou que Paul Valcker, presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA) nos anos 1980, deu um choque de juros e acabou com a inflação, sendo que a economia sentiu o impacto em um primeiro momento, mas depois voltou a crescer. "Outras coisas mudaram, se criou um novo ambiente nos EUA. Se a gente tiver a mesma coragem e dar uma sacudida geral na economia, o sol vai raiar no horizonte do Brasil", afirmou durante evento em São Paulo.

Segundo ele, o primeiro passo é resolver a questão fiscal, mas depois será preciso trabalhar em reformas estruturais importantes, como no mercado de trabalho, Previdência e abertura da economia brasileira para o comércio externo. "Hoje, está cheio de empresas que querem investir, aproveitar a oportunidade criada pelo câmbio, mas elas estão tímidas porque não sabem o que vai acontecer com o fiscal", explicou. "Se não trabalharmos os aspectos mais estruturais, daqui a pouco bate no muro outra vez."

Leia mais notícias em Economia

Questionado se tem tido sucesso em convencer o Congresso sobre a importância desse ajuste, Levy disse que alguns parlamentares entendem o que o governo está fazendo, e outros menos. Ele ressaltou, no entanto, que os partidos da base de apoio precisam ter clareza sobre a política econômica. "O projeto que mandamos para acabar com a incerteza jurídica do ICMS, por exemplo, está virando uma outra coisa muito diferente", criticou.

Investimento em infraestrutura

Levy ressaltou a necessidade de simplificar as regras de investimento, especialmente em grandes projetos de infraestrutura. Ele comentou que o Brasil é um país forte e atrativo para investimentos estrangeiros e afirmou que o governo brasileiro não faz diferenciação entre as empresas nacionais e internacionais nem nunca teve uma grande briga jurídica com um investidor estrangeiro.

Ele lembrou que o relatório Doing Business, do Banco Mundial, deve ser divulgado nos próximos dias e vai mostrar uma melhora nas condições do Brasil, mas ainda aquém de seus concorrentes. O ministro admitiu que o governo precisa abrir mais a economia e apontou que a proposta de um acordo de livre comércio com a União Europeia é um passo nesse sentido.

"A abertura da economia pode facilitar uma série de medidas de eficiência. Inclusive, quando a inflação caiu no Brasil, foi entre outros fatores pela pequena abertura que houve na década de 1990", lembrou, afirmando que nesse cenário as empresas locais são obrigadas a competir com rivais estrangeiras e assim aumentam sua eficiência.

Levy mencionou que o governo vem trabalhando em uma aproximação significativa com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e disse que o secretário-geral da entidade deve vir ao Brasil na próxima semana. "Nós temos uma receptividade muito grande na OCDE."