Economia

Entenda como o BC vê fatores que influenciam os preços nos próximos meses

Autoridade monetária prevê IPCA de 6,6% em 2016 e admite que o resultado ficará acima do teto da meta pelo segundo ano consecutivo. Crescimento dos gastos públicos, com projeção de novo deficit, é a principal razão apontada para o descumprimento

Paulo Silva Pinto, Antonio Temóteo
postado em 01/04/2016 06:54
Autoridade monetária prevê IPCA de 6,6% em 2016 e admite que o resultado ficará acima do teto da meta pelo segundo ano consecutivo. Crescimento dos gastos públicos, com projeção de novo deficit, é a principal razão apontada para o descumprimento
Ninguém segura este país, pelo menos quando o assunto é alta de preços. O Banco Central (BC) apresentou ontem o Relatório de Inflação, com projeções mais elevadas do que na versão do trimestre anterior, divulgada em dezembro. E botou a culpa na deterioração das contas públicas. A expectativa predominante do BC é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 6,6% neste ano, ultrapassando, pelo segundo ano consecutivo, o teto, de 6,5%. Antes, a previsão era de 6,2%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a queda esperada é agora de 3,5% ; em dezembro, era de 1,9%.

[SAIBAMAIS];Tínhamos um cálculo de resultado fiscal em dezembro que apontava para a neutralidade. Quando recalculamos agora, caímos na faixa expansionista;, disse o diretor de Política Econômica do BC, Altamir Lopes, para explicar a mudança de expectativa do custo de vida. A esperança de superavit de 0,5% nas contas do governo, em dezembro, deu lugar à projeção de deficit de 1,6%, mas os números não constam do relatório.



As explicações não foram suficientes para convencer o mercado de que a autoridade monetária está fazendo o que lhe cabe para manter o poder de compra da moeda. ;A culpa é sempre dos outros, nunca do BC. É como um time de futebol dizer que não consegue ganhar o jogo porque choveu muito e a bola está pesada;, atacou o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor da instituição.

Pressões
O BC também procurou reforçar a ideia de que não vai baixar os juros se não houver condições para isso. No cenário de referência apesentado ontem, a Selic, a taxa básica estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), continuará nos atuais 14,25% até o fim do ano. O documento menciona várias pressões de alta da carestia, além dos gastos públicos. ;O Comitê reitera que essas condições não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária.;, diz o relatório.

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