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Correio Braziliense

Países ricos têm melhor desempenho Olimpico

Mergulhado em grave recessão, com piora nos índices de educação e de qualidade de vida, Brasil faz feio nas Olimpíadas. Nações que oferecem bem-estar à população e acumularam riqueza respondem pela maior parte dos pódios


postado em 13/08/2016 07:00 / atualizado em 13/08/2016 01:58

Quanto mais desenvolvido economicamente for um país, mais chances ele tem de conquistar medalhas em jogos Olímpicos. É o que mostra levantamento realizado a pedido do Correio pela consultoria Austin Rating. Nações que prezam pela qualidade de vida, com elevado nível de educação, investem pesado na formação de atletas. Esse trabalho não fica a cargo apenas dos governos. A iniciativa privada também tem papel preponderante na busca de líderes que acabam se tornando ícones de várias gerações e estimulando investimentos ainda maiores no esporte.

O caso mais impressionante para mostrar a forte relação entre a economia e as medalhas nos jogos olímpicos é a China. Nas últimas três décadas, com crescimento superior a 10% ao ano, o país asiático saltou de uma posição periférica para a elite do esporte. Tanto que, hoje, com o segundo Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, disputa a liderança dos pódios com os Estados Unidos, a superpotência mundial. Alguns economistas ressaltam que a qualidade de vida na China está longe da observada no Primeiro Mundo. Mas reconhecem que os chineses estão trabalhando pesado para mostrar por que merecem tantas conquistas. E isso passa, sobretudo, pela educação.

O Brasil, infelizmente, está na posição oposta. Apesar de ser uma das 10 maiores economias do planeta e sediar a primeira Olimpíada da América do Sul, o país não cumprirá a meta anunciada pela presidente afastada, Dilma Rousseff, em 2012, quando terminaram os jogos olímpicos de Londres. Enfática, ela alardeou: “Em 2016, vamos figurar na lista das 10 potências olímpicas no ranking de medalhas”. Na capital britânica, a delegação canarinho ficou em 22º lugar, com 17 pódios, e está bem longe do seleto clube neste ano.

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Na primeira semana dos jogos no Rio de Janeiro, mesmo com um exército com mais de 460 atletas, o maior contingente da história, o Brasil acumula apenas quatro medalhas (informação coletada até as 20h) e repete a mesma posição de Londres, com medalhas em modalidades que têm pouco incentivo tanto do governo, quanto da iniciativa privada. O péssimo desempenho coincide com a mais grave recessão econômica em quase um século e com a piora visível no nível de educação. Ou seja, dizem os especialistas, o Brasil só não faz mais feio devido a alguns talentos individuais.

Na primeira colocação do ranking da Rio 2016 estão os Estados Unidos, que abocanharam 43 medalhas até o início da noite de ontem. Já a equipe da China, que conseguiu ultrapassar os EUA em 2008, quando sediou os jogos de Pequim, está na vice-liderança, com 36 pódios. Em Londres, conquistaram, respectivamente, 103 e 108 medalhas.

Superação

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, “o quadro de medalhas reflete a concentração da riqueza no mundo e a importância que os países dão à qualidade de vida”. No entender dele, “os países ricos têm mais estrutura para incentivar o esporte e as exceções a essa regra têm mais a ver com talentos individuais”. No levantamento realizado para o Correio, ele levou em consideração o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) — quanto mais próximo de 1,0 estiver o indicador, melhor é a condição de vida da população — e o PIB. As 10 nações que mais têm atletas laureados respondem por quase metade da riqueza global.

No ranking de medalhas, o Brasil está atrás de economias com PIB bem menores, como Hungria. O país europeu vem crescendo, em média, 2,3% ao ano, e, após a crise financeira global de 2009, fez um ajuste fiscal importante, com corte do número de parlamentares pela metade e redução de tributos. Enquanto isso, o governo brasileiro não consegue controlar os gastos e, muito provavelmente, terá que aumentar impostos neste ano para cobrir as despesas. Em 2016, o Brasil terá o terceiro ano consecutivo de rombo fiscal. As contas só voltarão ao azul, na melhor das hipóteses, em 2019.

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