Jornal Correio Braziliense

Economia

Gastos com saúde e cuidados pessoais impedem queda maior da inflação

Com os procedimentos médicos ficando cada vez mais caros em um dos poucos mercados em que ainda houve pressão de demanda, o aumento foi inevitável

A inflação cedeu mais do que o esperado e surpreendeu os analistas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2016 com alta de 6,29%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ficou abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. A desaceleração só não foi mais acentuada devido ao aumento dos preços com saúde e cuidados pessoais, que subiram, em média 11,05% no ano passado. Em dezembro, o IPCA avançou 0,30%, a menor variação para o mês desde 2008.
[SAIBAMAIS]A alta do item de saúde e cuidados pessoais, porém, foi a maior desde 2001. Com os procedimentos médicos ficando cada vez mais caros em um dos poucos mercados em que ainda houve pressão de demanda, o aumento foi inevitável. Em 2015, os gastos com saúde haviam subido 9,2% e atingiram o pico nos 12 meses terminados em maio de 2016, 11,9%. Só no segundo semestre do ano passado os desembolsos desaceleraram, tal como o custo de vida em outras classes de despesas.

O movimento de recuo dos preços, no entanto, foi insuficiente para frear algumas das principais pressões do grupo, como custos com produtos farmacêuticos e plano de saúde. Em média, os remédios subiram 12,48% em 2016, e os convênios médicos, 13,57%. Os dois itens responderam por 68% da alta do segmento e por 20% de todo o IPCA acumulado no ano. Somente os planos de saúde deram uma contribuição de 0,45 ponto percentual ; a maior entre todos os subitens analisados pelo IBGE.

Os gastos com saúde assustaram muitos consumidores. Entre eles, a servidora pública Ivete Aguiar, 48 anos. Em um ano, o custo do plano de saúde dela saltou de R$ 400 para R$ 600 ; um aumento de 50%. ;É uma despesa muito alta para um benefício que atende só uma pessoa. E, infelizmente, não tenho como cancelar. Não posso ficar dependente apenas da saúde pública;, lamentou.
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