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Correio Braziliense

Serraglio chama de 'grande chefe', líder de fraude na venda de carnes

A investigação aponta Daniel Gonçalves como o "líder da organização criminosa". Na gravação, Serraglio, que assumiu o Ministério da Justiça no início do mês, se refere a ele como "o grande chefe"


postado em 17/03/2017 13:35 / atualizado em 17/03/2017 13:49

(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Aúdios gravados pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca capturaram uma conversa do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), com o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016. Daniel Gonçalves é um dos alvos da investigação de venda irregular de carne no país. O ministro não é investigado na ação.

A investigação aponta Daniel Gonçalves como o "líder da organização criminosa". Na gravação, Serraglio, que assumiu o Ministério da Justiça no início do mês, se refere a ele como "o grande chefe". Na conversa, Daniel é informado sobre problemas que um Frigorífico de Iporã estaria tendo com a fiscalização do MAPA. "Logo após encerrar a ligação, Daniel ligou para Maria do Rocio, contando-lhe que o fiscal de Iporã quer fechar o Frigorífico Larissa daquela localidade", diz o documento. "Ele pede a ela que averigue o que está acontecendo e lhe ponha a par. ela então obedece à ordem e em seguida o informa de que não tem nada de errado lá, está tudo normal, informação esta depois repassada a Osmar Serraglio."

O relatório que cita o ministro peemedebista foi encaminhado à Justiça, com sugestão para envio à Procuradoria-Geral da República. Como deputado federal pelo PMDB do Paraná, o atual ministro da Justiça detém prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não é, no entanto, alvo da investigação. "Conforme bem destacado na manifestação ministerial, dos diálogos não se extraem elementos suficientes no sentido de que o parlamentar (Deputado Federal) que é interlocutor em um dos diálogos, que detém foro por prerrogativa de função, esteja envolvido nos ilícitos objeto de investigação no inquérito policial relacionado a este feito ou em qualquer outro que requeira neste momento o envio de peças ao Tribunal competente para eventual apuração de ilícito penal", diz a decisão do juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal.

Entenda

Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da Operação Carne Fraca, que cumpre hoje 309 mandados judiciais em seis estados e no Distrito Federal. A ação da Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de superintendências federais da Agricultura em vários estados, em um esquema criminoso que liberava licenças e fiscalização de frigoríficos de modo irregular.
 
Há indícios de que as empresas investigadas, que têm mais de 60% do mercado de carnes no país, tenham vendido até carne com prazo de validade vencido, maquiadas com ácido ascórbico para disfarçar o mau cheiro e embaladas com novo prazo de validade, de acordo com o delegado federal Maurício Moscardi Grillo. Outros produtos, como lotes de frango, eram moídos com papelão e há relatos de que até água era injetada na carne para que o peso aumentasse, além de ser verificada a falta de proteína nas peças. As vendas desses itens ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas.

O Ministério da Justiça afirmou em nota que o ministro soube hoje, "como um cidadão igual a todos", que teve seu nome citado em uma investigação. "A conclusão tanto pelo Ministério Público Federal quanto pelo Juiz Federal é a de que não há qualquer indício de ilegalidade nessa conversa degravada", diz a nota.
 
Com informações da Agência Estado

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