A votação dos destaques da reforma da Previdência foi marcada por pressões de manifestantes. Por volta do início da tarde, agentes penitenciários tentaram entrar na Câmara dos Deputados pelo anexo 4, edifício onde ficam os gabinetes de parlamentares. O edifício tem um acesso subterrâneo para o anexo 2, sede das comissões. Policiais legislativos se mobilizaram com escudos, capacetes e máscaras de gás para conter a manifestação. Do lado de fora, a Polícia Militar foi acionada para conter e barrar a entrada dos servidores.
Diferentemente dos outros anexos, que ficaram completamente bloqueados, o anexo 4 estava contido apenas por uma grade que separava os agentes penitenciários do acesso ao edifício. A grade usada ontem era mais frágil do que a que foi rompida na última semana pelos agentes penitenciários que invadiram a Câmara.
Os agentes haviam ido embora na última semana e retornaram ontem de diversas partes do Brasil para participar dos protestos marcados para esta semana. Eles cobram que os deputados votem pelo destaque que poderia garantir a aposentadoria especial por periculosidade para a categoria, com a idade mínima de 55 anos.
Embora o governo tenha sinalizado com um acordo de levar o destaque para votação no Plenário da Câmara, os agentes mostram descrença com tal sinalização. ;Já haviam prometido que o destaque seria aprovado, e não foi;, criticou o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penal do Rio de Janeiro (SindSistema-RJ), Gutembergue de Oliveira.
Ontem, ele e outros sindicalistas voltaram a se reunir com parlamentares para retomar as negociações. Pela manhã, eles se reuniram com o líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), e o deputado Mauro Pereira (PMDB-RS), para reforçar a importância de que a base governista cumpra o acordo. ;Todos (os deputados) dizem que a nossa causa é justa, mas não fomos colocados no relatório. Estamos abertos a diálogo, não enganação;, criticou Oliveira.
O sindicalista, no entanto, nega que os agentes penitenciários tenham tentado invadir a Câmara. ;Sem condições isso. Viemos para o diálogo;, afirmou. Como forma de pressão, os agentes penitenciários decidiram ontem promover para os dias 20 e 21 de maio uma operação padrão. O protesto fará com que a categoria trabalhe estritamente segundo as normas legais. ;Não vamos nos desdobrar, como já fazemos no dia a dia;, afirmou.
Oliveira afirma que, somente no Rio de Janeiro, seriam necessários mais 3 mil servidores para atuar em conjunto com os 4,9 mil ativos. ;Tem unidades com 3,5 mil presos com apenas sete inspetores de plantão;, disse. O sindicalista, entretanto, lava as mãos quanto a possibilidade de que a operação padrão desencadeie protestos dos detentos. ;Ações podem trazer reações e acarretar várias coisas, mas isso não é culpa do agente;, disse.