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Correio Braziliense

BNDES tem feito milhares de campeões nacionais, diz Rabello de Castro

Segundo ele, milhares de companhias foram financiadas ao longo dos 65 anos do BNDES e, daqui para frente, a intenção é "capilarizar" ainda mais o apoio financeiro


postado em 20/06/2017 13:51

O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, chamou nesta terça-feira (20/6), de cacoete a ideia de que o banco financie apenas empresas escolhidas como campeãs nacionais. Segundo ele, milhares de companhias foram financiadas ao longo dos 65 anos do BNDES e, daqui para frente, a intenção é "capilarizar" ainda mais o apoio financeiro. 

"O BNDES tornou campeãs inúmeras empresas. A ideia de campeões nacionais é um cacoete com o qual temos que lidar. Funding tem que ser cada vez mais conjugado à disponibilidade nacional e internacional.Tem que ser capilarizado para milhares de empreendedores anônimos", afirmou Rabello, ao abrir o evento de comemoração de 65 anos da instituição, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. 

Ele citou como exemplo de medida de capilarização e aproximação do investidor a iniciativa de lançar no próximo dia 26 um canal de disseminação de informações "para estabelecer contato íntimo com milhares de empreendedores anônimos". 

Em seu discurso, o presidente do BNDES ainda defendeu que o País ultrapasse a fase de estabilização econômica, iniciada com o plano Real, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e passe para o estágio de desenvolvimento. 

"Estamos há 23 anos estabilizando. Precisamos trocar esse disco e passar para a etapa que realmente interessa, que é o desenvolvimento. Vamos procurar disseminar cada vez mais a palavra desenvolvimento para que esteja encruada nas cabeças dos empreendedores e de todos aqueles que querem que esse País vá para frente", disse Rabello. 

Pacote de bondades


O presidente do BNDES afirmou também que o governo federal não trabalha com "pacote de bondades", ao se referir à reunião, na semana passada, entre o presidente Michel Temer e governadores de diversos Estados, em Brasília.

"Este governo e o Brasil estão para além da era de pacotes. Não estamos empacotando nada, porque isso não é mercearia", afirmou Rabello de Castro. "Estamos contribuindo para destravar o que está travado", comentou.

Auditoria interna


A auditoria interna do BNDES tem que melhorar, afirmou o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, ao fazer um comentário sobre governança e eficiência do Estado, durante o debate na sede da instituição de fomento, no Rio.

Nardes disse que, desde 2012, tem direcionado as auditorias do TCU para analisar não apenas a legalidade da aplicação de recursos públicos, mas também a eficiência dos gastos. Nesse contexto, passou a analisar a eficiência do BNDES, num contexto em que 50% do funding do banco passou a estar em aportes do Tesouro Nacional.

Segundo Nardes, 12 mil instituições públicas foram questionadas pelo TCU. O BNDES tem "bons os números", se comparado com outras instituições. "Saliento que a auditoria interna do banco tem que melhorar", disse Nardes, após avisar que entregará auditorias sobre o BNDES ao presidente Paulo Rabello de Castro.

Nardes afirmou ainda que o TCU resolveu avançar além das auditorias e, após ter assessorado o governo na elaboração da lei das estatais, tem mantido reuniões com o Ministério do Planejamento para propor uma lei de governança do Estado. Segundo Nardes, as conversas estão avançadas também com o Ministério da Fazenda. "Queremos um Estado mais facilitador do que complicador", disse Nardes.

Certidões negativas


Também no evento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pediu que o governo adote medidas de exceção na exigência de certidões negativas de débitos (CNDs) para incentivar a concessão de crédito por parte dos bancos públicos. Em debate na sede do BNDES, Skaf disse que é necessário que se dê uma trégua, sugerindo, de seis meses ou até o fim do ano.

Segundo ele, esse tipo de medida já foi adotada antes e poderia ser feita por meio de medida provisória (MP). "Não adianta perguntar para a Receita", afirmou Skaf, destacando que a Receita Federal sempre será contra esse tipo de medida. 

O presidente da Fiesp disse que, quando uma empresa está em dificuldade financeira -e quem já trabalhou num balcão ou chão de fábrica sabe como é, ressaltou -, a primeira obrigação que é deixada de lado é aquela cujo cobrador não está na porta, ou seja, os tributos. Quando há a retomada da economia, a empresa precisa colocar a vida em dia, disse Skaf, mas aí enfrenta exigências como a apresentação de CNDs. O presidente da Fiesp comparou a situação a afundar uma pessoa que está se afogando.

O dirigente cobrou ainda mais crédito do BNDES. Segundo Skaf, na gestão da ex-presidente Maria Silvia Bastos Marques, que renunciou mês passado, houve restrição ao crédito. O presidente da Fiesp citou o Progeren, linha para capital de giro, e o Cartão BNDES, voltado para empresas de menor porte, como prioridades. "Nos últimos meses, o BNDES estava mais entesourando e gerando caixa", afirmou Skaf, que criticou o que chamou a demora do Banco Central (BC) em baixar a taxa básica de juros. 

Somar esforços


O presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, sinalizou a intenção de contribuir com a retomada da economia com a liberação de crédito a investidores. "Na retomada, o crédito tem que existir. O que vamos ter que fazer é somar esforços para retomar a capacidade de ceder o crédito", afirmou, ao participar de evento comemorativo pelos 65 anos do BNDES.

Na opinião de Caffarelli, o alto patamar de inadimplência, durante a crise, assustou os financiadores. "Agora, é hora de separar o joio do trigo. Temos que saber quantas grandes empresas precisam do crédito", disse Caffarelli. Ele destacou ainda a necessidade de financiamento à exportação e também aos projetos de infraestrutura, segmento ao qual o BNDES está diretamente atrelado.

Caffarelli acredita que a economia caminha "para um patamar de estabilidade". Em sua opinião, "a inflação abaixo do centro (da meta) mostra que estamos preparados para a retomada".

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