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Correio Braziliense

Gasto de brasileiros com viagem cresce 32% no ano

Apesar da elevação das despesas de brasileiros no exterior, deficit em transações correntes em outubro foi o menor desde 2007


postado em 24/11/2017 06:00

Rocha: renda em alta e dólar em queda favorecem turistas nacionais(foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Rocha: renda em alta e dólar em queda favorecem turistas nacionais (foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

 

Os brasileiros gastaram US$ 1,6 bilhão no exterior, em outubro, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). O valor cresceu 15,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nos 10 primeiros meses do ano, as despesas com viagens internacionais chegaram a US$ 15,7 bilhões, uma expansão de 32,6% na comparação com igual período de 2016.

 

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O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, explicou que o crescimento da renda e da massa salarial real, além da queda da inflação, tem favorecido os brasileiros interessados em viajar para outros países. Ele destacou, ainda, que a redução do preço do dólar — que chegou a R$ 4 no ano passado e ontem fechou a R$ 3,22 para a venda — e a retomada das contratações no mercado de trabalho contribuem para que os turistas gastem mais em viagens ao exterior. “Tudo isso resulta em uma retomada dos gastos das famílias”, comentou.

Apesar do crescimento dessas despesas, o deficit em transações correntes do país foi de apenas US$ 343 milhões em outubro, o menor resultado para o mês desde 2007. A autoridade monetária estimava um rombo de US$ 1 bilhão. De janeiro a outubro, o resultado é negativo em US$ 3,3 bilhões e a projeção do BC, que deve ser revisada, é de saldo negativo de US$ 16 bilhões em 2017. Pelas previsões oficiais, em novembro, as contas externas devem ficar no vermelho em US$ 1,5 bilhão.

Investimentos

O deficit nas transações correntes, entretanto, tem sido coberto com folga pela entrada de investimento direto no país (IDP). Somente em outubro, US$ 8,2 bilhões ingressaram na economia brasileira, bem mais que os US$ 7,7 bilhões previstos pela autoridade monetária. No acumulado do ano, o IDP soma R$ 60 bilhões.

Nas contas da economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, o rombo nas contas externas não ultrapassará US$ 9 bilhões em 2017, o equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB), o que ajudará a manter comportadas as cotações do dólar.

“Esse resultado será impulsionado, principalmente, pelo bom desempenho da balança comercial, que deverá alcançar um superavit recorde de US$ 68 bilhões no ano. Patamares baixos de deficit implicam em uma menor pressão do lado real da economia sobre a taxa de câmbio”, comentou Thaís.

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