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Correio Braziliense

PIB volta a subir no 3º trimestre e crescimento deve continuar até dezembro

Expectativa de analistas é de que crescimento da atividade nos três meses encerrados em setembro atinja 0,4% e que avanço se mantenha de outubro a dezembro. Economistas projetam aumento de investimentos, reação da indústria e do consumo até o fim do ano


postado em 26/11/2017 08:00

A economia voltou a acelerar no terceiro trimestre. O resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) para esse período será divulgado apenas na próxima sexta-feira, 1º de dezembro, mas analistas de mercado apostam em melhora consistente dos números. Economistas da Tendência Consultoria, por exemplo, preveem crescimento de 0,4% no acumulado entre julho e setembro em relação ao período imediatamente anterior. O resultado reforça as expectativas de que a atividade econômica encerre o ano com um avanço de 0,7% — o melhor desempenho desde 2013.

Apesar de os primeiros sinais de retomada estarem surgindo, a recuperação efetiva da economia, na opinião de especialistas, ainda está longe de ser alcançada. A alta de 0,7% sinaliza apenas uma reação. No acumulado dos dois últimos anos, o PIB caiu 7,4%. A jornada para recolocar o país nos trilhos será lenta e passa, necessariamente, pelo aumento da demanda e da produção.

 

 

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A expectativa é de que sinais de recuperação sejam cada vez mais perceptíveis a partir do terceiro trimestre. Para o economista Bruno Levy, da Tendências, os investimentos devem subir 0,7% de julho a setembro em relação aos três meses imediatamente anteriores, após quatro trimestres consecutivos de queda. De janeiro a dezembro, a expectativa também é de avanço. A última vez em que o indicador registrou duas altas consecutivas foi em 2013.

A retomada dos investimentos responde à melhora da economia. Com a inflação em desaceleração, o Banco Central (BC) encontrou espaços na política monetária para promover cortes na taxa básica de juros (Selic). O cenário mais propício para consumo e renegociação de dívidas contribuiu para a queda do endividamento e a melhora dos indicadores de confiança. “A redução dos juros e o aumento da confiança da indústria e do consumo de bens de capital estão puxando esse processo”, avalia Levy.

Com a melhora dos investimentos, outro indicador que deve apresentar reação é a indústria. No terceiro trimestre, o setor secundário da economia subirá 0,5% em relação ao segundo, projeta Levy. No período imediatamente anterior, o que se observou foi uma queda de 0,5%. Se confirmado, o resultado será puxado pela indústria da construção civil, que crescerá 1,4%. “A construção ainda sente um pouco a crise, mas ela começa a ver sinais de melhora”, destaca.

Consumo

O cenário de inflação baixa e juros menores ajudarão a impulsionar os gastos dos consumidores. O indicador do consumo das famílias, que responde por cerca de 60% do PIB pela demanda, deve subir 0,8% em relação ao segundo trimestre, prevê Levy.

Embora o resultado represente uma desaceleração em relação ao segundo trimestre, período em que o consumo foi estimulado pela liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), há perspectiva de que o consumo das famílias continue subindo e puxando, consequentemente, a atividade terciária. O setor de serviços deve subir 0,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo, puxado pelo comércio, que crescerá 1,4%.

Para 2018, as expectativas são boas. Os investimentos devem manter trajetória de alta, bem como o consumo das famílias. Com isso, são grandes as probabilidades de o PIB subir 2,5% no próximo ano. É o que prevê o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes. “Isso é típico de período pré-eleitoral. O consumo tem tendência de melhora, pelo menos, até metade do ano que vem. Até a definição das eleições, dificilmente medidas impopulares serão adotadas”, prevê.

Otimismo

A depender de um bom desempenho do quadro fiscal em 2018, é possível que o PIB cresça até 3%, avalia o economista Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores. “Se não houver um forte choque no setor externo e nas condições políticas, e a inflação e os juros reais se mantiverem sob controle, é um cenário possível”, sustenta. No entanto, ele ressalta que será fundamental o governo assegurar o equilíbrio do quadro fiscal. E, para isso, a aprovação da reforma da Previdência terá vital importância.

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