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Correio Braziliense

Amazon amplia oferta de produtos de outros vendedores no Brasil

Amazon procura operação capaz de conjugar navegação mais ágil e serviço adequado. Prioridade é resolver problemas


postado em 11/12/2017 06:00 / atualizado em 11/12/2017 07:12

Site: modelo de parcelamento das compras está em uso pela operação mexicana(foto: Reprodução/Internet)
Site: modelo de parcelamento das compras está em uso pela operação mexicana (foto: Reprodução/Internet)

São Paulo — Desde que começou a mudar a cara da sua operação no Brasil, passando de site de venda de livros para marketplace (espécie de portal mais amplo de comércio eletrônico com espaços destinados a consumidores e a lojistas), em abril, a Amazon tem acelerado a oferta de produtos e a entrada em novos segmentos. Na quinta-feira da semana passada, a subsidiária brasileira da companhia passou a oferecer ferramentas e materiais de construção de seus vendedores.

Não é difícil entender a razão que leva a companhia a apostar forte no serviço de venda on-line de produtos e serviços oferecidos por outros vendedores, tanto pessoa física quanto jurídica. Dados da Ebit (empresa que mede a reputação das lojas virtuais, por meio de pesquisas junto a consumidores) mostram que entre 25% e 30% das vendas do comércio eletrônico no Brasil são feitas por meio de marketplaces. A previsão é de que essa fatia chegue a 40% no fim de 2018 e a 50%, em 2019.

O crescimento da oferta de produtos tem sido rápido. Há menos de dois meses, a Amazon Brasil lançou o canal de eletrônicos. Semanas depois, foi a vez dos itens para cozinha e, agora, a loja de ferramentas e construção, com categorias que incluem ferramentas elétricas, climatização, ferragens e segurança.

Apesar de os produtos serem comercializados por terceiros, a Amazon oferece algumas garantias, como entrega e parcelamento dos pagamentos — o custo financeiro é arcado pela companhia —, fornecidas pela gigante de e-commerce. A experiência das compras parceladas, muito tradicionais no Brasil, já foi exportada para a subsidiária do México e está em estudo nos Estados Unidos.

O presidente da empresa, Alex Szapiro, diz que a estratégia do negócio não é baseada no crescimento rápido da sua operação como marketplace, mas em uma operação que conjugue uma boa experiência de navegação e de oferta de produtos para o consumidor e um serviço adequado para o vendedor. Para quem compra, a multinacional oferece a garantia de devolver o dinheiro do negócio se o vendedor não entregar o combinado – ele pode ser suspenso ou até afastado da Amazon, dependendo da situação.

Presidente da companhia no Brasil, Alex Szapiro diz que não gasta tempo olhando a concorrência(foto: Amazon/Divulgação)
Presidente da companhia no Brasil, Alex Szapiro diz que não gasta tempo olhando a concorrência (foto: Amazon/Divulgação)

Por outro lado, a empresa vem investindo em tecnologias que criam filtros para agilizar a vida desses vendedores. Eles podem aumentar suas chances de fechar um negócio, com a ajuda de filtros, que levam em consideração o desconto oferecido, a rapidez na entrega e as condições da mercadoria.

“Não gastamos muito tempo e energia olhando para a concorrência”, afirma Szapiro. Para o executivo, acompanhar os movimentos do competidor não é inspirador. “Se olhar para a concorrência, você vai querer fazer um pouco melhor, e não resolver o problema do cliente. Aqui começamos justamente pelo cliente”, garante.

Szapiro diz que não se pauta pelos competidores, mas o fato é que o setor de marketplace tem passado por movimentos relevantes nos últimos tempos. Na semana passada, Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, alfinetou a Amazon ao dizer que, apesar de respeitar a concorrente, leva vantagem nas vendas on-line por atuar nesse mercado há uma década e conhecer as dificuldades da logística no país.

O investimento na expansão do marketplace também é a aposta do Walmart no Brasil. A varejista americana anunciou nesta semana que, além de integrar suas operações de varejo físico e comércio eletrônico, vai concentrar suas vendas on-line apenas no marketplace e em “futuras oportunidades no digital”, informou por meio de nota. A multinacional espera com isso dar mais agilidade e eficiência aos negócios e aumentar a oferta de produtos e serviços.

O crescimento dos marketplaces, no entanto, precisará avançar na mesma velocidade da qualidade do atendimento. Quem faz suas compras no comércio eletrônico nem sempre tem um final feliz para relatar e aponta falhas no prazo de entrega e na qualidade do produto como alguns dos problemas. Segundo Pedro Guasti, CEO da Ebit, apesar das dificuldades, o consumidor vem melhorando sua percepção sobre o funcionamento dos marketplaces. “Ainda há um grande trabalho a ser feito por parte do varejo”, diz.
 
Mercado Livre se prepara 
 
Na quinta-feira da semana passada, o Mercado Livre anunciou a compra da Ecommet, empresa de softwares para lojistas on-line. O negócio foi fechado por R$ 36,5 milhões e o objetivo é atrair vendedores de pequeno porte que já oferecem seus produtos na internet, mas  que não estão integrados ao site. Com a iniciativa, a empresa agrega cerca de 3 mil clientes da unidade de negócios Becommerce, que oferece soluções de integração com marketplaces, além de sistema de gestão e plataforma de lojas virtuais.

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