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Correio Braziliense

Não aprovação da Previdência comprometerá bolso do brasileiro, diz governo

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou que, em três anos, cada cidadão perderá R$ 4,5 mil de renda


postado em 12/12/2017 15:01 / atualizado em 12/12/2017 15:47

Ministro do Planejamento fala sobre risco de reforma da Previdência não passar na Câmara(foto: AFP / EVARISTO SA)
Ministro do Planejamento fala sobre risco de reforma da Previdência não passar na Câmara (foto: AFP / EVARISTO SA)

 
A não aprovação da reforma da Previdência terá efeitos imediatos no crescimento do país, afirma o governo. Caso sejam mantidas as regras atuais de aposentadoria, o que contribuirá para que o risco país volte a crescer, o Produto Interno Bruto (PIB) poderá aumentar em até 6,3 pontos percentuais nos próximos três anos, o que significa que a renda de cada brasileiro será corroída em até cinco salários mínimos (R$ 4.685, pelo valor atual), de acordo com nota técnica divulgada nesta terça-feira (12/12) pelo Ministério do Planejamento.
 

Além disso, pelas contas do governo, mais de 3 milhões de postos de trabalho deixarão de ser criados no período, caso o risco país volte a crescer -- o que é esperado que aconteça, se a reforma não passar. "Em um cenário de risco mais elevado, em três anos, cada cidadão brasileiro perderá R$ 4,5 mil de renda, caso o risco país volte a ser o que era antes. O PIB vai cair, a inflação vai subir, o desemprego vai aumentar", resumiu o ministro da pasta, Dyogo Oliveira, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), nesta terça-feira.

Outra consequência de uma eventual quebra da credibilidade do novo regime fiscal é um aumento na dívida pública na ordem de R$ 650 bilhões, valor “que deverá ser coberto por mais impostos num futuro próximo”, segundo a nota do ministério. Esse custo da dívida é de R$ 3 mil por pessoa.

Com a reforma, a dívida pública bruta do governo se estabilizará em torno de 80% do PIB, que, segundo o comandante da pasta do Planejamento, é um nível elevado para um país como o Brasil. Sem reforma, chegará a 101,3% em 2021. “Não tem como comparar com Japão, que tem 150% de dívida, mas tem taxa de juros de 0,5% ao ano e renda per capita de US$ 40 mil por ano”, ponderou Dyogo. Os países semelhantes ao Brasil, segundo ele, mantêm a dívida entre 40% e 50% do PIB. 

Juros

O ministro ressaltou que a despesa do governo com juros caiu de 13,1% para 10,5% entre agosto de 2016 e outubro de 2017, o que representa uma economia de R$ 87,8 bilhões aos cofres públicos. “Isso é resultado de uma política econômica correta e acertada. Não adianta querer baixar despesa de juros no grito, na marretada. Você baixa com política econômicas corretas, que geram confiança, credibilidade, perspectiva de futuro sólida e consistente”, disse.

Quando isso acontece, “aquela pessoa que está emprestando dinheiro tem confiança que você vai pagar, e a taxa de juros vai caindo”, acrescentou Dyogo. “E sabe quem é essa pessoa que empresa dinheiro? A população brasileira que coloca dinheiro na conta corrente, na poupança, em um fundo de investimento. Quando falam dos credores da dívida pública, esquecem quem são. Parece que são pessoas de outro planeta. São os cidadãos brasileiros”, reforçou o ministro. "Menos juros significa mais investimentos", disse. 

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