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Correio Braziliense

Porto Seguro investe em aceleradora de startups para inovar

Maior seguradora do país cria empresa que tem como missão modernizar seus processos internos


postado em 14/12/2017 06:00

Italo Flammia, diretor de inovação da Porto Seguro:
Italo Flammia, diretor de inovação da Porto Seguro: "Somos uma aceleradora corporativa que funciona também para trazer inovação para os nossos produtos. Ganhamos vendendo mais planos de seguro" (foto: Porto Seguro/Divulgação)

 

São Paulo — Não é novidade o interesse das grandes empresas brasileiras no crescente mercado de jovens empresas de tecnologia, as chamadas startups. Até pouco tempo atrás concentradas em programas de apoio de grandes companhias da área, como Google, Microsoft e IBM, as startups, geralmente tocadas por empreendedores de pouca idade, hoje fazem parte das estratégias de corporações tradicionais que antes não davam muita importância ao fenômeno da inovação. É o caso da Oxigênio, aceleradora de startups criada há dois anos pela Porto Seguro, maior operadora de seguros do país.

 

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Nos dois anos de existência completados em setembro, a aceleradora recebeu pouco mais de 4,4 mil inscrições em quatro ciclos de aceleração, com duração de seis meses cada um, e apoiou 24 empresas. Nesse período, foram desenvolvidos cerca de 40 projetos, muitos deles desenhados para melhorar e modernizar processos internos e externos da própria Porto Seguro. “Somos uma aceleradora corporativa que funciona também para trazer inovação para os nossos produtos. Ganhamos vendendo mais planos de seguro”, diz Italo Flammia, diretor de inovação da Porto Seguro, e que teve a ideia do projeto da Oxigênio depois de uma viagem ao Vale do Silício, nos Estados Unidos.

Na empreitada, a Oxigênio trouxe como parceira a Liga Venture, grupo de executivos especializados em conectar startups e grandes companhias por meio de projetos de aceleração. No programa da Oxigênio, os empreendedores têm sessões de mentoria, palestras e workshops com executivos da Porto Seguro e profissionais renomados do mercado de tecnologia de diversas outras áreas. Além de utilizar as startups como fornecedoras para suas necessidades e de sua controladora, a aceleradora fica com uma participação de 10% no capital das aceleradas. 

Cada uma delas, depois de selecionada, recebe US$ 150 mil, sendo US$ 50 mil em dinheiro. Outros US$ 100 mil são utilizados para pagar custos como aluguel e utilização da infraestrutura da Oxigênio. Os times das startups também ganham o direito de passar três meses na Plug and Play Tech Center, no Vale do Silício, em São Francisco, nos Estados Unidos. Lá, além da experiência de conviver com startups do mundo inteiro, as empresas brasileiras têm a chance de conseguir novos investidores e deslanchar no mercado internacional.

Tudo pelo sonho


As histórias dos empreendedores que venceram o complexo processo de seleção da Oxigênio são muito semelhantes: são jovens apaixonados por tecnologia e que largaram tudo pelo sonho de ser dono do próprio negócio. E, claro, fazer muito dinheiro. É o caso do administrador de empresas Bruno Attilio, de 30 anos, que largou o emprego em um grande banco brasileiro para investir tudo o que tinha na BTime, desenvolvedora de programas de gestão com foco na melhoria de produtividade e padronização de processos.

Antes de participar da seleção da Oxigênio, Attilio diz que trabalhava durante o dia no banco e à noite no ainda embrião da BTime. “Foi um processo de altos e baixos”, conta, lembrando que foi chamado de maluco pelos colegas bancários por ter largado um emprego certo, com vários benefícios, por uma aventura que não sabia que daria certo. Mas deu, principalmente depois que a empresa passou a ter o apoio da Oxigênio, em agosto deste ano. “Mudou tudo. Passamos a bater recordes de projetos mapeados na aceleradora e fechamos cinco trabalhos.” Nos últimos três meses, a BTime teve um aumento de mais de 200% em sua receita, com a implementação de projetos na Porto Seguro e em outros mercados, como Portugal, Estados Unidos e Paraguai. “Agora, estamos em conversas com um fundo japonês”, revela o jovem executivo.

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