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Correio Braziliense

Brasília recebe programa para formar empreendedores na área da tecnologia

A ideia, então, para incentivar ainda mais o empreendedorismo no país é que as novatas paguem menos impostos que outras já firmadas no mercado


postado em 18/12/2017 09:40 / atualizado em 18/12/2017 09:49

Kazerooni: evolução de negócios precisa de regras distintas(foto: Valério Ayres/CB/D.A Press)
Kazerooni: evolução de negócios precisa de regras distintas (foto: Valério Ayres/CB/D.A Press)


Após se consolidar em outras sete cidades do Brasil, o Founder Institute tem um novo alvo: em 2018, Brasília receberá o programa de formação para empreendedores na área de tecnologia. O trabalho, consolidado em 200 regiões espalhadas pelo mundo, estimula o desenvolvimento de negócios dentro do país e discute a necessidade dos incentivos governamentais às startups. A ideia é beneficiar a economia local e combater o “brain drain” (quando se perde cérebros para o exterior).

“Por que as pessoas estavam saindo para entregar grandes valores em outros lugares, e não no próprio Brasil?”. Foi esse questionamento que levou Nima Kazerooni a investir nos empreendedores do país. Na opinião do diretor executivo do Founder Institute, muitos deixam a região por falta de incentivo às empresas emergentes, por causa da alta taxa de tributos e do excesso de burocracia. “A estrutura tributária tem de reconhecer as startups como uma entidade diferente das empresas de pequeno e médio portes. Quando o governo começar esse reconhecimento, aí começa a dar certo”, afirmou Kazerooni.

A ideia, então, para incentivar ainda mais o empreendedorismo no país é que as novatas paguem menos impostos que outras já firmadas no mercado. “Quando se exige o mesmo delas nesse formato tradicional, elas enfrentam a mesma burocracia que as empresas tradicionais. E isso faz com que o país inteiro se atrase, e fique atrás dos Estados Unidos, da Europa e da China, que estão nos ultrapassando por tratarem startups de uma forma diferente”, disse.

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Apesar do cenário desestimulador, a Founder Institute acredita que as pessoas são capazes de entrar no mercado. O grupo conseguiu mapear mais de 400 iniciativas de empreendedorismo na capital federal. A ideia é investir nas universidades e escolas para gerar uma consciência na base educacional e aumentar o número de brasilienses capazes de criar a própria empresa e mantê-la no mercado. “Tem muita gente qualificada aqui, gente séria e que não está empreendendo pelo glamour. Acho que Brasília tem uma vantagem porque o pessoal é sério e trabalhador. Eles estão sempre procurando novas formas de entrar no mercado, já que o setor público e o setor das grandes empresas estão se ‘enxugando’”, comentou.

De acordo com Kazerooni, os números mostram que os novos empregos em países como Canadá e Estados Unidos vieram das pequenas empresas, e que a maioria delas têm como base a tecnologia. “O papel do governo é de fomentar empreendedorismo, não de criar programas de aceleração  nem estrutura para incubadora”, opinou Nima Kazerooni.

Além disso, para ser um bom empreendedor, é preciso arriscar, segundo o diretor executivo do Founder Institute. “Eu avalio o risco de uma forma diferente das outras pessoas. É mais arriscado meu dinheiro ficar na conta-corrente, ou na poupança, porque eu não estou fomentando o empreendedorismo e a uma inovação. Estou causando um atrito e falta de potencial grande para o futuro. Essa é uma decisão egoísta”, disse.

Seleção


O processo seletivo do Founder Institute, no entanto, é difícil. “O Founder é uma peneira”, brincou o diretor. Há primeiro uma fase de inscrição, na qual o candidato pode escrever a própria história de vida e os problemas que ele acredita que deveriam ser resolvidos. Durante toda essa fase, são avaliadas a inteligência emocional, paixões, e adaptabilidade de cada pessoa. Kazerooni afirma que não é necessário que o candidato escreva um modelo de negócio. “Às vezes o fundador está redefinindo ou criando um setor. Mas a gente tem de encaixar pessoas dentro dos setores já existentes. Se não for assim, estamos repetindo o passado e não criando um futuro”, explicou.

Depois desse estágio, é necessário fazer um aporte financeiro. “Você precisa ser alguém que sabe juntar recursos. Tem pessoas que abrem uma campanha de crowdfunding. Eles têm que fazer qualquer coisa para captar recursos”, detalhou. Assim, se o candidato for excluído do programa ainda no começo, ele recebe o dinheiro de volta. Se chegar às próximas etapas, tem a chance de repetir o processo no semestre seguinte, sem pagar taxas. O instituto também garante bolsas para a melhor empreendedora feminina, uma bolsa técnica, e outra para quem tiver ideias tecnológicas sobre o espaço. 

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