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Correio Braziliense

Fundação da Ambev compra 15,3% das ações ON da Itaúsa

Uma das maiores acionistas da empresa aloca R$ 4,5 bi em busca de maior retorno financeiro


postado em 18/12/2017 17:15 / atualizado em 18/12/2017 18:39

Transação deve dar à instituição assento no conselho da Itaúsa, que será ocupado por Victorio de Marchi(foto: Reprodução/Internet)
Transação deve dar à instituição assento no conselho da Itaúsa, que será ocupado por Victorio de Marchi (foto: Reprodução/Internet)

 
Rio de Janeiro – A Fundação Antonio e Helena Zerrenner, uma das maiores acionistas da Ambev, comprou 15,3% das ações ON da Itaúsa, alocando R$ 4,5 bilhões de sua montanha de caixa em busca de maior retorno, enquanto luta com a alta dos custos de saúde. Dona de 10,2% da Ambev, a fundação recebe cerca de R$ 1,2 bilhão por ano de dividendos da cervejaria, e gasta cerca de R$ 400 milhões por ano cumprindo sua missão: fornecer educação e saúde aos funcionários da Ambev e seus dependentes, além de atuar em comunidades em que a companhia está presente. 
 
 
Num leilão na Bolsa na sexta-feira, a Petros vendeu 432 milhões da Itaúsa ON à Fundação, que fica sócia das famílias Villela, Setúbal e Moreira Salles num momento em que a própria Itaúsa começa a diversificar seus investimentos. O leilão saiu a R$ 10,50 por ação. A transação deve garantir à fundação um assento no conselho da Itaúsa, que será ocupado por Victorio de Marchi, o veterano da Antarctica, hoje co-chairman da Ambev e um dos três diretores executivos da fundação. 

A Itaúsa tem 37,4% do capital total do Itaú Unibanco e o banco representa 90% dos ativos da holding, que recentemente comprou uma participação na Alpargatas e numa rede de gasodutos da Petrobras, além de ser acionista da Itautec e da Duratex.

A fundação tem sua origem no desejo do casal fundador da Antarctica de destinar seu patrimônio em benefício dos funcionários da companhia. Sem filhos ou sucessores, Antonio e Helena Zerrenner deixaram em testamento a ideia e o escopo da Fundação, criada após a morte de ambos por Walter Belian, que presidiu a Antarctica entre os anos 30 e sua morte, em 1975. 

Em 1999, a Antarctica fundiu- se com a Brahma, criando a Ambev e, ao longo dos 18 anos seguintes, as múltiplas fusões da companhia geraram valor e alavancaram os ativos da Fundação. Hoje, com um patrimônio de R$ 37 bilhões, a Fundação é o segundo maior ‘endowment’ do Brasil, atrás apenas da Fundação Bradesco, cujo patrimônio é de R$ 55 bilhões. 

Outro diretor executivo da Fundação, Edson de Marchi, disse que a Fundação se viu pressionada a encontrar um ativo com retorno maior diante da alta exponencial dos custos de saúde. “Temos nos assustado com a velocidade do crescimento dos custos de saúde no Brasil”, disse de Marchi, que, além de dirigir a fundação, trabalha na Ambev há 30 anos. “Há alguns anos o custo tem crescido dois dígitos, e os nossos dividendos não crescem nessa taxa. Não é mais uma questão de se, é uma questão de quando teremos um problema.” 

Há três anos, a fundação começou a investir pesado para aumentar seu know-how de gestão de saúde. Outra medida é diversificar os investimentos, buscando um retorno maior. “Historicamente, Ambev e Itaú têm nos dado um ‘dividend yield’ de 4% a 5% ao ano. Nossa estimativa para a Itaúsa é de um ‘yield’ de 6,8% ano que vem”, afirma de Marchi. 

O interesse pela Itaúsa começou há sete anos, quando a Camargo Correa colocou à venda sua participação na holding. Ao procurar um ativo para diversificar seus investimentos, a fundação procurava uma empresa com qualidade de gestão, cultura de governança e rentabilidade, disse de Marchi. A Itaúsa se encaixava no perfil, mas a fundação decidiu esperar mais. 

Enquanto isso, começou a montar uma posição no Banco Itaú Unibanco, esperando o dia em que outro lote relevante de Itaúsa viesse a mercado. Para um investidor que não se preocupa com a iliquidez do papel, a troca é vantajosa: nos últimos dez anos, a Itaúsa tem negociado a um desconto médio de 21% em relação à soma de seus ativos. 

Na semana passada, a fundação vendeu sua participação no Itaú (60% em ONs e 40% em PNs) para fazer a oferta pelo lote da Petros. O próprio Itaú — que tem um programa de recompra de ações em curso — e a família Moreira Salles deram liquidez à fundação em leilões separados.

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